Victor Vivacqua
Victor Vivacqua

Pabllo Vittar comemora o sucesso da música 'Todo Dia' e canta com Daniela Mercury no carnaval

Drag queen é dona de um dos hits do carnaval de 2017

Pedro Rocha, ESPECIAL PARA O ESTADO

26 de fevereiro de 2017 | 03h00

No ano em que o carnaval de rua é marcado pela discussão sobre as marchinhas politicamente incorretas, a festa em Salvador se torna mais inclusiva no bloco Crocodilo, de Daniela Mercury. Para ajudar a puxar o trio neste domingo, 26, a rainha da folia baiana convidou a drag queen Pabllo Vittar, dona de um dos hits do carnaval de 2017, a faixa Todo Dia.

 

Em coletiva para anunciar a novidade, Daniela ressaltou que seu bloco tem justamente como tema o empoderamento LGBT, feminino e negro. “Minha arte é sempre o mais forte e o que interessa no meu carnaval”, disse aos jornalistas.

Vittar, claro, é só alegria com o convite. “Quando meu pai me disse que a produtora da Daniela tinha entrado em contato, eu surtei”, comemora Pabllo, de 22 anos, em entrevista ao Estado. A cantora, que é nordestina, de São Luiz do Maranhão, conta que, desde criança, costuma ouvir as músicas de Daniela, que já embalaram vários carnavais em sua vida. “Minha família tem um envolvimento grande com carnaval. Minha mãe sempre trabalhou na festa com um barzinho”.

Agora, o carnaval é o tema da música que fez Pabllo estourar em todo o Brasil. Na parceria com Rico Dalasam, o primeiro rapper assumidamente gay do País, a drag queen canta “Eu não espero o carnaval chegar para ser vadia / Sou todo dia, sou todo dia”. “Essa música é a verdade de muita gente”, explica. “Gente que não espera o carnaval chegar para se divertir e ser feliz. Para correr atrás dos seus direitos, levantar uma bandeira, para soltar a sua voz e falar o que pensa.”

Antes de aterrissar em Salvador, Pabllo teve a sua primeira experiência puxando um bloco de carnaval com o Pop do K7, em São Paulo. “Foi incrível. Uma rua tomada por ‘vittalovers’, fiquei emocionada e me senti uma Daniela Mercury”, diz aos risos. Vittalovers é o nome dados a fãs da drag. 

O bloco, com grande público LGBT, foi um dos vários que levaram música pop ao Carnaval de São Paulo. A mistura de ritmos vista nas ruas está também no álbum de estreia de Vittar, Vai Passar Mal, lançado em janeiro. O trabalho tem música pop, eletrônica, reggae, forró e mais. “Se a gente pode juntar tudo, por que ficar com uma coisa só?”, defende. 

Apesar de cantar desde criança, Pabllo começou a carreira apenas no final de 2015, quando incorporou a arte do drag à sua vida. Na época, lançou nas redes sociais a faixa Open Bar, uma versão bem brasileira de Lean On, do grupo de música eletrônica Major Lazer. Isso, e o contato com o produtor brasileiro ?Rodrigo Gorky, fez Vittar entrar em contato com o produtor norte-americano Diplo, líder do grupo e que já trabalhou com nomes como Madonna e Justin Bieber.

“Eu já era muito fã do Major Lazer e para mim foi um sonho realizado trabalhar com ele”, revela a drag queen sobre o trabalho com Diplo. “Tenho outros projetos com ele mais para frente, estou bastante ansiosa para começar logo”, diz, porém, sem revelar muito. Por enquanto, só é possível ouvir a parceria entre eles em Então Vai, faixa sete de Vai Passar Mal. 

Apesar do trabalho com Diplo, Pabllo diz não estar pensando numa carreira internacional. “Para falar a verdade, eu estou bem mais preocupada com o público do Brasil”, brinca. No País, aliás, ela anda bem ocupada. A drag queen faz parte da banda do programa Amor e Sexo, apresentado por Fernanda Lima na Globo, e já tem a gravação de um novo clipe agendada para depois do Carnaval para a música K.O., um arrocha.

Por enquanto, porém, a drag queen só consegue pensar no trabalho com Daniela Mercury. Pabllo deve cantar com ela algumas músicas da baiana e também entoar, sozinha, algumas das suas próprias. “Vão ter também algumas surpresas, que eu não posso contar”, diz aos risos. “É Carnaval, minha primeira vez em Salvador, se eu contar tudo não tem graça”.

Militante dos direitos LGBT, que estão representados, inclusive, em suas músicas, Pabllo só garante que não cantará as marchinhas de Carnaval que estão no centro das polêmicas atuais, por conterem machismo, racismo ou homofobia nas suas letras. “Pra que continuar cantando músicas que denigrem a imagem da mulher, do negro, da classe LGBT”, questiona. “Tem tantas músicas legais para a gente cantar e se divertir no carnaval”. 

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