Ernna Cost
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Pabllo Vittar canta em Dawn of Chromatica, novo álbum de Lady Gaga

Em 'Fun Tonight', ícone pop americano faz parceria com a brasileira ao ritmo de arrocha

Ana Lourenço, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2021 | 16h56

"Eu sempre quis performar como a Lady Gaga no palco, sabe? Ela me mostrou que eu podia ser grande se acreditasse nos meus sonhos. Até me fantasiei de ‘Gaga Papparazi’ (em referência ao clipe homônimo) num carnaval meu e eu pude sentir um pouquinho como é ser ela”, lembra a cantora Pabllo Vittar em entrevista ao Estadão. A brasileira representa o País com o single Fun Tonight, que faz parte do álbum Dawn of Chromatica: The Remix Album, lançado na madrugada de hoje em todas as plataformas digitais.

Tudo começou como um grande rumor da internet, em sua maioria feita pelo produtor epopxecutivo do disco, Michael Tucker, conhecido artisticamente como BloodPop ou BloodPop®, que soltava spoilers de um possível álbum remix desde abril deste ano. 

“Tudo aconteceu graças aos vittalovers (como ela chama seus fãs) que ficaram chamando a atenção do Blood nas redes. Daí a gente começou a conversar e tinha ainda a faixa do Fun Tonight para ser produzida e eu me senti muito sortuda”, conta cantora, dizendo que o single era o seu preferido desde o lançamento do disco original. “Eu já era apaixonada antes, mas o remix trouxe uma ‘vibe’ Brasil. Os little monsters brasileiros (como são chamados os fãs de Lady Gaga) vão se sentir bem representados por meio da música”, conta a artista.

A insistência deles valeu a pena. Pabllo é a única brasileira de uma legião de artistas talentosos que fazem parte do álbum remix. E, desses, uma das poucas a fazerem remix somente com Gaga, sem outras participações especiais. Isso sem falar dos que já garantiram presença no álbum original, o sexto da carreira de Gaga, lançado em 29 de maio do ano passado. Nomes como Ariana Grande, Elton John e o grupo feminino sul-coreano BLACKPINK

 

Marca pessoal. A remixagem de álbuns é algo comum na carreira da cantora americana, que fez isso com o álbum The Fame (2008) e Born This Way (2011). Mas em Dawn Of Chromatica, o mundo todo participa: a artista Rina Sawayama, que nasceu no Japão, mas hoje mora em Londres; a DJ venezuelana Arca; a americana Charli XCX; a rapper britânica Bree RunWay; entre outros nomes. A ideia, em todos, foi seguir a identidade de cada artista, e criar novas interpretações.

Para representar bem o Brasil, Pabllo escolheu o estilo musical do seu último álbum Batidão Tropical, lançado em junho deste ano, com inspirações em antigas bandas de forró, especialmente do Pará, e ritmos do tecnobrega e do arrocha. “Eu queria muito botar isso na música porque é um pedaço de mim, é o que eu estou fazendo agora, e eu me sinto muito orgulhosa de poder trazer os ritmos do Norte e do Nordeste para o Brasil, com o Batidão, e agora para o mundo, com Dawn of Chromatica”, diz a cantora, que nasceu no Maranhão. A música, cantada toda em inglês, já alcançou o primeiro lugar no Itunes Brasil.

Tietagem artística. É interessante notar que todas as participações foram feitas por artistas declaradamente fãs de Gaga, os quais celebraram a participação no álbum em suas redes pessoais. Fazendo um paralelo, em entrevista feita ao Apple Music, em 2020, Lady Gaga afirmou que foi graças ao incentivo das pessoas que acreditaram nela que o álbum saiu. E que forma melhor de celebrar essa vitória do que com artistas que a admiram e fazem parte do cenário queer mundial em ascensão? 

“É realmente a realização de um sonho. É muito maior do que eu estar realizando isso, sabe? É mostrar para as pessoas que nós LGBTQs podemos fazer coisas grandiosíssimas, basta a gente se unir e a gente querer. Foi o que aconteceu. Queria muito abraçar cada um dos meus fãs bem forte e agradecer”, diz. 

Chromatica, segundo Lady Gaga, é uma tradução musical da maneira que ela vê o mundo. Uma espécie de diário com musicalidade alegre. Aliás, este foi o primeiro dançante da cantora depois de um bom tempo com músicas mais calmas, presentes em Joanne (2016) e Cheek To Cheek (parceria com Tony Bennett, em 2014). “Eu acho que ela já mostrou esse planeta dela para a gente e agora podemos entrar nele e curtir com a visão de vários artistas incríveis. E eu levo o bom arrocha do meu Brasil para representar”, afirma Pabllo. 

Nas letras, a cantora americana fala sobre fama, ódio, depressão e dor. A própria música Fun Tonight, feat com Pabllo, diz: “Sinto que estou em uma prisão do inferno. Não estou bem”. “Eu acho que todos nós nos relacionamos com o que ela fala, né? Não só nós artistas, mas todo mundo está sujeito a ter um dia triste, momentos ruins e isso faz parte de quem a gente é.”

Apesar do sonho realizado, ainda não houve interação entre as cantoras, de acordo com Pabllo. “Ela me marcou em um Story no Instagram com uma foto nossa e, menina, na hora que chegou a notificação no meu celular eu só gritava: ‘É do Brasil!’”, celebra Pabllo, que pretende avançar muito mais com a sua carreira internacional. 

Em 2017, ela fez a música Então Vai com o DJ Diplo. Logo depois, em 2019 , veio Flash Pose com Charlie XCX. A artista ainda garantiu seu lugar na lista de atrações do festival americano Coachella em 2020 – que foi adiado, devido à pandemia e ainda não divulgou informações se serão mantidos os artistas convidados – e o festival NOS Primavera Sound 2022, que ocorre em Barcelona. “Todos iremos cantar arrocha, de Dublin até a Argentina. Eu sempre vou trazer o meu tempero do Brasil, mas também quero me aventurar em outras vertentes”, afirma Pabllo.

A cantora também tem turnê internacional marcada a partir de abril de 2022. “Vamos começar a ensaiar já neste ano. Também estamos com um projeto de show de cinco anos de carreira e estamos preparando um mega show virtual com palco, figurinos. Vai ser demais”, diz.

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