Ross Halfin
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Ozzy Osbourne dispensa rótulo de quase aposentado e faz show soturno em SP

Príncipe das trevas não economizou nos hits em apresentação de sua turnê mundial de despedida

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2018 | 23h42

Ozzy Osbourne esbanja fofura com aquele tradicional chinelão de dedo. Sentado num aconchegante sofá, contempla a paisagem de uma ensolarada tarde de outono com uma xícara de chá nas mãos. Estranho, mas quando o Príncipe das Trevas anunciou sua aposentadoria das longas e exaustivas turnês mundiais, tal cena, que antes parecia improvável até mesmo para o fã mais pessimista, surgiu com força na cabeça de muitos. O abuso de drogas e álcool por mais de três décadas havia finalmente vindo à tona para o derradeiro acerto de contas. Era o fim da linha para Ozzy. Mera ilusão. Pelo menos foi o que se viu na noite deste domingo, 13, no Allianz Parque, na zona oeste de São Paulo.

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Ozzy mostrou estar em boa forma, apesar da barriguinha saliente. O músico inglês não economizou nos hits e o primeiro show da turnê No More Tours II pelo Brasil teve todos os ingredientes cruciais de uma performance inesquecível. Prestes a completar 70 anos (ele faz aniversário no dia 3 de dezembro), Ozzy subiu ao palco pontualmente às 21h30 e, logo de cara, abriu os trabalhos com os sucessos Bark at the Moon e Mr. Crowley. A maneira desconcertante de ir de um lado para o outro deixa sua performance cômica, porém soturna.

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Ozzy é uma lenda viva do rock. À frente do Black Sabbath, abriu as portas para o heavy metal no final dos anos 1960. Em entrevista ao Estado no começo de abril, Ozzy disse que "estava cansado e queria aproveitar os filhos e netos". Justo. São anos de serviços bem prestados ao rock e à música. Os fãs – ainda que ele tenha prometido fazer alguns shows esporádicos por aí – certamente sentirão sua falta. "Olá, São Paulo. Como vocês estão?", berra. Numa atmosfera sombria, o público, apaixonado, responde com gritos ensurdecedores. Trajando preto, ele faz movimentos curtos. Sem perder seu carisma tão peculiar, segura o microfone com alguma dificuldade.

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Em alguns momentos, Ozzy oscila entre a figura mais dark do rock e um velhinho batuta duramente abatido pelo tempo. Durante e execução de Suicide Solution, o músico perde vários minutos ajeitando o cinto, que quase o deixa sem as calças. “E agora um presente pra vocês”, diz ele antes de No More Tears, outro hit. War Pigs, Paranoid e Fairies Wear Boots, sucessos do Black Sabbath, acalmaram os corações saudosos da banda que encerrou suas atividades em fevereiro do ano passado com um show majestoso na cidade de Birmingham.

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Fato é que depois de War Pigs, o Príncipe das Trevas precisa de uma pequena pausa antes de continuar. É justamente neste momento que ele sai de cena e intermináveis solos de bateria e guitarra entram em ação. Ozzy não é mais nenhum menino. O descanso lhe faz bem e ele volta renovado para a outra metade do show, que ainda tem tempo para Shot in the Dark, I Don’t Want to Change the World e Crazy Train. A turnê de Ozzy Osbourne pelo Brasil segue agora para Curitiba (Pedreira Paulo Leminski, dia 16); Belo Horizonte (Esplanada do Mineirão, dia 18) e Rio de Janeiro (Jeunesse Arena, dia 20).

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