JF Diorio/ Estadão
JF Diorio/ Estadão

Ozzy Osbourne completa 65 anos

O Príncipe das Trevas sobreviveu a uma vida de excessos e hoje em dia é uma flor de pessoa

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2013 | 15h35

O inglês John Michael Osbourne, o nativo de Birmingham que ficou universalmente conhecido como Ozzy Osbourne, completa 65 anos hoje (3 de dezembro). Um sobrevivente de uma vida de excessos: ele declarou, nos anos 1980, que tentou várias vezes o suicídio quando adolescente e que ele e o baterista Bill Ward, nos primórdios do Black Sabbath, tomaram ácido diariamente durante dois anos.

Em outubro, Ozzy veio ao Brasil a bordo de um reencarnado Black Sabbath, show que levou 70 mil pessoas ao Campo de Marte. Era a celebração de seu reencontro com os colegas Tony Iommi (guitarra) e Geezer Butler (baixo), com o auxílio de Tommy Clufetos (bateria). Revigorado, apesar de algumas sequelas físicas, mostrou centelhas do rebelde do rock que foi um dia. Foi um primor de profissionalismo e animação, fazendo valer cada real que os fãs pagaram para ver a banda.

Ozzy cansou de ser declarado persona non grata mundo afora. Em 1982, foi expulso de San Antonio, Texas, após ter urinado no Álamo, um símbolo local. Em 1990, o cardeal nova-iorquino John O'Connor destinou a Ozzy um violento sermão antirock. Foi considerado psicopata e satanista, e assumiu uma gama diversificada de apelidos, o principal deles o de Príncipe das Trevas.

Hoje em dia, Ozzy é uma flor de pessoa, e chegou a ser convidado em 2002 por George W. Bush para ir à Casa Branca conversar sobre sua militância em defesa dos animais domésticos - curioso destino de quem um dia foi acusado de decepar a cabeça de um morcego com os dentes, em pleno palco. Faz caridade em época de Natal e já estrelou comercial de refrigerante.

Se a estrada de excessos de Ozzy não conduziu ao Palácio da Sabedoria, ao menos lhe deu uma assombrosa notoriedade. Isso se intensificou nos anos em que ele e sua família estrelaram o reality show The Osbournes, na MTV. "Estou completamente recuperado de todos os meus vícios. Minha única dependência é o rock", disse o músico ao Estado em 2008, falando sobre algumas referências às drogas que ainda aparecem na sua música atualmente - a canção Silver fala de dependência de uma anfetamina, a chamada "chrystal meth", mas Ozzy diz que não tem nada a ver. "Eu nunca discuto as letras de minhas canções. Cada um tem uma interpretação diferente", afirmou.

Ozzy brinca até com suas manias. Sua mulher, Sharon Osbourne, contou à imprensa sobre um suposto sonambulismo do roqueiro, que teria o costume de andar pelado à noite nos corredores dos hotéis em que se hospeda. Sharon cogitou a hipótese de colocar um sininho em Ozzy para que ele não pagasse mico na madrugada. "Fique atento, preste atenção ao som de um sininho se aproximando!", brinca Ozzy.

Foi demitido pelo Black Sabbath em 1978, após lançarem o disco Never Say Die. Ao longo de 45 anos de atividade, 23 músicos estiveram em sua formação cervical do Sabbath, mas o mundo inteiro esperava pela reunião com o velho Ozzy.

Após o expurgo, ele reiniciou a carreira pelas mãos da atual mulher e empresária, Sharon, que o levou a montar um novo grupo, Blizzard of Ozz. Uma vez, perguntado sobre os rumores sempre freqüentes de aposentadoria, Ozzy foi curto e grosso: "Ponha para tocar o meu disco Black Rain e ouça a letra de I Don't Want to Stop. Isso responderá à sua questão." A letra diz o seguinte: "Mãe, não chore/Só quero dizer que eu gosto de tocar com perigo e susto/Todo mundo está andando mas ninguém está falando/ Isso parece bem melhor daqui/ Toda minha vida estive no topo/ Eu não quero descer/ tudo que eu sei é que não quero parar."

Ozzy Osbourne esteve no Brasil pela primeira vez para o Rock in Rio, em 1985, ao lado de Queen, Iron Maiden, Whitesnake, Yes, AC/DC. Voltou para o Monsters of Rock, em 1995, numa jornada que teve ainda o Megadeth, Alice Cooper, Faith no More e Rata Blanca. Na ocasião, no Pacaembu, 45 mil pessoas viram os concertos.

Em 2002, Ozzy deu uma parada em suas atividades musicais para se concentrar no tratamento de sua mulher, Sharon, que tinha sido diagnosticada com câncer no cólon. Declarou-se perdidamente apaixonado pela mulher, e chegou a passar mal ao assistir às sessões de quimioterapia. Mas Sharon sarou e Ozzy voltou à estrada. Em 2003, um baque: seu empresário de turnês, Bobby Thomson, foi encontrado morto num quarto de hotel.

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