Ovelha, Gengis Khan e cia. estão de volta

Já disseram que todo mundo um dia teria direito a 15 minutos de fama. Eles tiveram os seus, mas querem ter direito a 30. Autores de sucessos-relâmpago na década de 80 e estrelas da "época de ouro" dos programas de auditório, eles preparam o retorno após um bom tempo de sumiço.A onda ganhou força com um dos programas Jovens Tardes, da Rede Globo, que homenageou a música brega dos anos 80. Dias depois, o cantor Ovelha quase matou de rir os telespectadores com uma entrevista de três blocos no Programa do Jô. Hoje, o Gengis Khan faz o segundo show da volta do grupo e nos próximos dias Gilliard e o Trio Los Anggeles reaparecem com novos discos. "Fuscão Preto, Ovelha, Gengis Khan... O movimento vai vir com tudo. Não dá para ignorar o popular. Chega de João Gilberto e esses caras que cantam tossindo", ameaça Ovelha.Todo mundo voltando. Mas por onde esse povo andou durante esse tempo? "Sabe um terremoto? Fue mas ou menos lo que passou comigo", responde, com um típico sotaque argentino, Jorge Danel, líder do Gengis Khan. Em 1994, um dos integrantes do grupo, Omar, morreu de ataque cardíaco dentro do avião, quando voltava da Europa. No ano seguinte foi a vez de Tuli, outra das vocalistas, que adoeceu. Morreu no final de 1995. Em 1997, faleceu Marilu, mulher de Jorge.Tanta fatalidade matou o Gengis Khan no meio da década passada. O show de hoje no Caravaggio, durante uma festa de músicas trash/bregas, é o segundo da série que marca a ressurreição do grupo. A volta traz dois novos integrantes e uma série de novos projetos. Algumas músicas antigas ganharam roupagem moderninha, revestidas de tecno. O próximo passo é remixar o grande clássico do grupo, Comer, Comer.Na opinião de Jorge, a música poderia ser o hino do Programa Fome Zero. "As pessoas não percebem que ela vai ficar para sempre. Você não imagina o que teve de mãe que me contou que os filhos só comiam quando escutavam a música. Acabou sendo uma utilidade pública", diz Jorge, que no tempo sem a banda trabalhou como dublador de filmes, coreógrafo e produtor de um show brasileiro que rodou meses pela China.A volta do "pop-trash anos 80" pode ressuscitar a rivalidade entre dois dos principais grupos da época: o Gengis Khan e o Trio Los Anggeles. Jorge não esconde a bronca com o outro grupo. "Nós fizemos o grupo e as pessoas copiaram. Só que eu sou coreógrafo enquanto o Márcio (vocalista dos Los Anggeles) só sabe rebolar. Além do mais, ele explora muito as meninas, passa a mão nelas", diz.O Trio não parou de fazer shows. Ganhou um "g" a mais no nome em 2002 - sugestão de um numerólogo - e duas novas meninas na formação. Cléo e Ana, as antigas, casaram, tiveram filhos e se aposentaram. As novas, Adriana e Carol, foram estrelas de um ensaio na revista pornográfica Hunter, com direito a participação especial de Márcio na capa. "Nunca explorei ninguém. A Ana era minha irmã e as novas meninas aceitaram o convite da Hunter", defende-se Márcio. O Los Anggeles lançou no ano passado um CD de 20 anos de carreira com a versão axé do sucesso Vem Dançar Mambolê. No novo disco, a música vira um calipso.Ovelha não se encaixa muito no perfil de quem volta depois de 20 anos sumido. Gravou 16 discos, a maioria de forró, desde que estourou com o refrão "Uouou yeh yeh, sem você não viverei" (que na verdade se chama Te amo, que mais posso dizer). Jura que tem cinco discos de ouro e quatro de platina em casa. E tem planos ambiciosos.Produtor e jurado de um programa de calouros que vai ao ar às 6h da manhã no Canal 21, ele prepara dois lançamentos, um de músicas americanas e outro com versões como Forever Young, do Alphaville, e O Guarani de Carlos Gomes, em ritmo de forró. E como bonus-track, o CD terá a gravação original do clássico do cantor. "Vamos vender 500 mil cópias", diz ele, planejando o Ovelha in Concert, em agosto, no prestigiado Tom Brasil.Mas o que promete ser o mega-relançamento entre os popstars dos anos 80 deve ser o do cantor Gilliard, que fez sucesso com Aquela Nuvem e a infantil A Pulga e o Percevejo e que passou alguns dos últimos anos como comerciante de telefones celulares. Gilliard, que deve lançar em breve um CD com regravações de sucessos e novas músicas, não quis falar com o JT. "Ele tem talento para fazer muito sucesso. Vamos lançá-lo na Globo. Misturá-lo com esses outros artistas não seria legal", explica Cléo, seu produtor.

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