Ouça os nove dós de peito da ária <i>Ah! Mes Amis</i>

Nos anos 60, ela marcou o início da carreira de sucesso do jovem Luciano Pavarotti; 40 anos mais tarde, acaba de levar à fama o tenor peruano Diego Flórez. Épocas, cantores e montagens diferentes, mas uma mesma protagonista: a ária Ah! Mes Amis. Por quê? Público de ópera adora notas agudas. Em La Bohème, por exemplo, ficamos sempre à espera, na ária Che Gelida Manina, para ver se o tenor vai conseguir atingir aquele único e maravilhoso dó. É algo como um estádio cheio, de olho no atacante que vai bater aquele pênalti aos 47 minutos do segundo tempo na final do campeonato que seu time não conquista há mais de três décadas. Bom, mas a questão é - Ah! Mes Amis não tem apenas um dó. São nove. E um pertinho do outro. Haja fôlego!?Não tem jeito, ali no palco, à medida que vamos cantando a ária, sabemos que está todo mundo esperando para ver se vamos conseguir cantar as notas?, brinca o tenor Flávio Leite, de 26 anos, o responsável pela façanha na montagem paulistana de A Filha do Regimento. Brinca? Não exatamente. ?O dó é uma nota muito especial, muito bonita, difícil de conseguir. E há, claro, o fato de que grandes cantores já interpretaram a ária, Pavarotti, o espanhol Alfredo Kraus e, mais recentemente, Juan Diego Flórez, que tive a chance de ouvir pessoalmente e é mesmo tudo aquilo que se comenta?, completa o tenor. Um detalhe: o impacto que a ária exerce no público é tal que, no começo do ano, durante uma apresentação de Flórez no Scala de Milão, os aplausos o levaram a repetir a ária - o primeiro bis em 74 anos de história do teatro você pode ver no YouTube, o vídeo da apresentação.E como fazer para chegar lá? ?É muito importante saber dosar a energia, a força, o ar, durante a ária para atingir as notas com tranqüilidade?, diz Leite. Bom, a torcida está preparada, o goleiro posicionado, o juiz já apitou. E o atacante começa a correr em direção à bola...

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