Ouça canções e leia letras de músicas de Elton John

Conheça as letras e trechos de quatro canções do início da carreira de Elton John, antes do cantor virar ícone pop (nunca esquecendo que ele foi garoto prodígio da Royal Academy of Music). "Infelizmente, é a parte menos conhecida de sua história", diz o jornalista Antônio Gonçalves Filho, do Caderno 2.   Veja também:Elton John teve uma fase política na carreira  Após 2 dias secos, chuva causa estragos na arena de Elton John   Talking Old Soldiers (Velhos Soldados Conversando, de 1971, do LP Tumbleweed Connection) Olá, posso lhe pagar uma cerveja? Obrigado, é muita gentileza sua É bom saber que alguém ainda se importa conosco/ Nestes tempos de corre-corre em que ninguém quer saber de nada Posso parecer apenas um velho soldado/mas sei o que significa envelhecer Sim, está certo, você me vê por aqui todas as noites/ olhando para as paredes e as luzes/ Engraçado, foi há muitos anos, creio/ Ficava lá no bar com meus amigos que morreram/ e bebia três vezes mais cerveja do que bebo hoje/ Sim, sei o que significa envelhecer E também sei o que eles dizem: "Lá vai aquele velho doido, o Joe" Bem, posso ser doido mesmo,/ até porque já vi o bastante para perder o juízo Lá eles sabem o que é ter um túmulo como amigo? Porque é lá que eles estão, garoto, todos eles/ E não acho que venha a ter bons amigos como esses de novo/ Bem, está na hora de partir/ Foi bom ouvir você/ E podemos até nos ver na próxima vez que passar por aqui/ Você está certo:/ É tanto corre-corre que ninguém parece se importar/ Então, tente ficar bem, amigo/ E tome outro copo por minha conta/ Esqueça o que dizem/ Você tem suas lembranças, suas memórias/       Indian Sunset(Crepúsculo indígena, de 1971, do LP Madman Across the Water) Assim que despertei à noite com o cheiro de madeira queimada/ grudado ao corpo como teia presa a um tapete/ Fui ter com o cacique, levando minha lança e minha mulher,/ pois ele contou que a lua amarela em breve nos abandonaria/ Não posso crer, disse, não posso crer que nosso deus da guerra esteja morto/ Eles não abandonaria seus eleitos à fúria dos soldados/ Oh, grande pai dos Iroquis, pai desde que eu era apenas uma criança/ mamando e aprendendo os sinais de fumaça ao som dos tambores/ aprendendo a brandir o machado e cavalgar pôneis selvagens/ para afugentar os Sioux e tomar dessa escória a filha do chefe/ E agora você pede que eu assista ao massacre lento de meus pares/ Que tipo de palavras são essas, vindas de Cão Amarelo,/ o bravo guerreiro temido pelos brancos?/ Levo apenas o que é meu, meu pônei, meu machado, meu filho/ Não posso ficar aqui para vê-lo morrer junto ao orgulho de nosso tribo/ Sigo em busca da lua amarela e dos pais de nosso filhos/ Onde o sol vermelho se põe atrás das montanhas douradas/ onde as águas que curam correm/ Pisando sobre as rosas do prado e deixando rastros na areia/ para aqueles que me seguem/recebo a todos de braços abertos/ Ouvi de renegados que passavam a notícia da morte de Jerônimo/ Estava entregando as armas quando o encheram de chumbo/ Parece, então, que não há mesmo razão para ficar nesta terra/ que um dia foi minha/ Não consigo mais vê-la como lar/ Está calmo/ Estou só/ A cavalaria se aproxima/ Acho que chegou a hora de me render e acabar com essa fuga alucinada/ Pois em breve estarei com os que amo/ sob a lua amarela, onde os búfalos pastam em campos floridos/ onde não se ouve o estrondo das armas/ onde o sol afunda nas montanhas douradas,/ onde a paz chega a este guerreiro em forma de bala.       Ticking (1974, do LP Caribou, 1974) "Uma criança extremamente calma", dizia sua ficha escolar/ "Sempre mostrou interesse por tudo que lhe ensinavam"/ Então, o que faz essa sirene de polícia berrando rua afora,/ levando a seus pais a notícia de sua estúpida morte?/ Na igreja de São Patrício, aos domingos, padre Fletcher ouvia seus pecados/ Oh, ele nunca ligou para competição/ Nunca se importou em vencer/ Mas o sangue manchou sua mão jovem, que nunca empunhou uma arma/ E seus pais pensaram nele como um filho problemático/ "Agora você jamais irá para o céu, filho", disse a mãe Lembre-se do que ela disse:/ "Cresça direitinho e vá direto para a cama"/ Ouça, ouça/ Tic, tac, tic, tac/ Eles o encurralaram num bar do centro enquanto clamava por um padre/ Um idiota gritou: "Ele endoidou"/ Então, alguém chamou a polícia/ Você esfaqueou um garçom negro que tentou lhe acalmar/ Puxou o revólver e mandou que todos deitassem no chão, prometendo não machucar ninguém, desde que ficassem quietos/ Um jovem tentou uma trégua, e você atirou nele/ com os olhos cheios de lágrimas/ A bala parecia tão quente e macia em sua mão/ E então veio à mente uma lembrança infantil:/"Eles querem lhe machucar, nunca sente no colo do diabo", disse sua mãe/ Lembre-se do que sua mãe disse: "Pague sua pena, minha criança, tema o jogo dos anjos" Ouça, ouça/ Tic, tac, tic, tac Em uma hora a notícia chegou aos jornais:/ "Homem branco armado perde a cabeça em Queens"/ A área foi evacuada/ As aulas suspensas/ Quatorze pessoas mortas num bar chamado A Mula Manca/ Eles apelaram para sua sanidade,/ temendo pela segurança das vítimas/ "Jogue a arma fora, saia devagar com as mãos para cima" Mas eles lhe encheram de chumbo/assim que surgiu à porta/ E você dançou feito uma marionete nas mãos da lei/ "Você dormiu em silêncio por muito tempo" , mamãe disse/ Lembre-se do que sua mãe disse:/Tic ,tac, tic, tac/ "Garoto maluco, sempre com essas estranhas na cabeça",/ Ouça, ouça/ Tic, tac, tic, tac       Sixty Years On(Depois dos 60, de 1971, do LP Elton John) Quem me levará à igreja quando eu estiver com 60 anos?/ Quando o cão estropiado que me deram já estiver em sua cova há dez anos?/ E uma senhorita tocar violão só para ti?/ Quando meu terço quebrar e suas contas se espalharem pelo chão?/ Pendura teu casacão no cabide e depois guarda tua arma/ Sabes que a guerra que travastes não foi nenhuma brincadeira/ Não quero viver depois dos 60/ Apenas senta-te a meu lado e deixa teus olhos reviverem Bem sei que minhas orações seriam as mesmas/ E Madalena tocaria o órgão só para ti A vela sagrada queimaria devagar ao passares/ E o futuro que me reservas não seria outro além de uma arma/ Não quero viver depois dos 60

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