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Otto lança novo disco com show gratuito em São Paulo

Cantor e compositor pernambucano falou ao 'Estadão.com.br' sobre as influências do 6º álbum

Paula Carvalho - estadão.com.br,

11 Outubro 2012 | 14h00

O pernambucano Otto lança nesta sexta-feira, 12, seu novo disco, The Moon 1111, com um show na praça Victor Civita, em São Paulo. O álbum, inspirado no filme Fahrenheit 451, de François Truffaut, atrasou um ano da data divulgada em 2011. Em compensação, veio com tudo o que Otto planejara: um retorno à percussão recifense, produção de Pupillo e apoio de músicos como Fernando Catatau, Kassin e Lincoln Olivetti.

Para montar este 6º disco, Otto gravou uma parte das canções em Peixinhos, um bairro pobre entre Recife e Olinda. Depois do elogiado Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, em que revia crises amorosas em um tom kafkiano, o compositor volta com um trabalho mais aberto, com influências de Pink Floyd e do afrobeat - combinação que deve funcionar bem ao vivo com a percussão de Toca Ogan, Marcos Axé e Male e a guitarra de Catatau. Otto falou ao Estadão.com.br, por email, sobre o novo trabalho e sua posição sobre a música pernambucana hoje.

No vídeo sobre a gravação de The Moon 1111, você fala em "resgatar a música pernambucana, a percussão de peixinhos…". A cena musical de Recife esfriou em comparação com os anos 1990? Como você vê a música pernambucana hoje?

De forma alguma! Quando falei de resgatar a música pernambucana foi no sentido de um resgate pessoal. Eu estava longe e senti que a hora da reaproximação era esta. Além do disco ter uma forte influência percussiva, eu tive a felicidade de ter sido agraciado pelo Natura Musical, sem o qual não teria condições de começar em Recife e em Peixinhos.

Quanto à "cena de Recife", acho que nunca esfriou. Sentimos as quedas e as sacanagens do mercado. Mas, fora isso, além da galera mais velha, tem um pessoal que surge a cada ano, e vem com tudo.

Não gosto do termo "cena pernambucana" (um dia já gostei). Hoje o dinamismo fez com que tudo diluísse. Somos músicos espalhados pelo mundo - mas se é de Pernambuco pode confiar um pouco mais (risos). Duvido que haja um estado que produza mais música independente do que nosso. E cuidado que Belém também vem vindo... (risos)

Em Certa manhã... você fazia referências a Kafka, neste disco a Farenheit 451. Quais outras influências não-musicais no seu trabalho?

Françoise Truffaut foi o sujeito pelo qual me deixei levar, como pilar da minha construção. Farenheit 451 foi o livro do qual retirei o titulo e me embasei pra criar, inspirar. E também teve Fela Kuti, Pink Floyd e um pouco de Vincent Van Gogh. Tenho sempre referências de artistas as obras. Não dá pra criar sem memórias artísticas.

O disco novo tem a participação de Kassin, Pupilo e Dengue, três músicos e produtores. Qual a diferença de ter pessoas que também são produtoras na construção de um disco? Você já produziu outros artistas?

Tenho o privilégio de ter uma musica arranjada por estes amigos geniais. Ainda tem Catatau (Fernando Catatau, da banda Cidadão Instigado). Tem Lincoln Olivetti que trás uma bagagem e uma genialidade latente, poderosa. Acho que sou suficientemente claro e sei que não faço a minha musica só. Uma banda que tem Pupillo, Catatau, Kassin e Lincoln Olivetti é um privilegio mundial. Acho que so quem esteve la no estúdio pode resumir o que ouve naquelas gravações.

Como será a adaptação de The Moon 1111 para o palco?

A adaptação é um capítulo à parte. Aí entra em cena a Jambroband. Há anos essa banda me carrega, sinto uma enorme satisfação no palco. É comandada por Bactéria e tem Rian Batista no baixo, Junio Boca na guitarra, Toca Ogan, Marcos Axé e Male na percussão. E, claro, Fernando Catatau na guitarra.

 

Otto - The Moon 1111

Praça Victor Civita, Pinheiros

Grátis, dia 12/10 às 18h

Capacidade máxima: 2000 pessoas

 

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