Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Otto deixa tristeza de lado e mostra CD reflexivo e dançante

'Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos' é um dos melhores álbuns do ano passado

Lucas Nobile, de O Estado de S. Paulo,

11 de março de 2010 | 19h14

Quando Otto falou ao Estado em novembro, disse que todos seus ídolos haviam chegado ao fundo do poço e que tinham dado a volta por cima. A declaração dizia respeito ao momento conturbado pelo qual o cantor, compositor e percussionista pernambucano passava. Naquele mês ele havia perdido sua mãe e lançava um disco seis anos após Sem Gravidade. Como nos movimentos cíclicos da vida de seus mestres musicais, em menos de quatro meses Otto se desgarrou das sombras pessoais e profissionais, e, mais leve, apresenta sexta, 12, e sábado, no Auditório Ibirapuera, Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, um dos melhores álbuns do ano passado.

 

Naquela época, antes mesmo do disco chegar às lojas, Otto já colhia o retorno do público em shows, como no Crato, no interior do Ceará, em que as pessoas já conheciam e entoavam as canções do novo CD, graças ao "deus digital" da internet, como o compositor define. Depois disso, vieram Recife e Rio, com a mesma aprovação. "No Circo Voador eu até tinha que me esforçar para cantar mais alto que o público. Estou muito feliz em saber que os ingressos para este show estão se esgotando, São Paulo é uma cidade muito ligada à minha carreira. É uma consagração emocionante. Sempre toquei com os mesmos amigos, que são verdadeiros irmãos, era hora de coroar o trabalho", diz Otto.

 

Os companheiros a que ele se refere são Fernando Catatau (com quem toca há quase dez anos, na guitarra), Pupilo e Dengue (parceiros de Nação Zumbi, na bateria e no baixo, respectivamente). Com eles, Otto mostrou novamente seu poder de renovação criativa, em um disco muito mais orgânico e menos eletrônico do que os anteriores.

 

Um som reflexivo e dançante, com oito faixas assinadas por Otto e duas regravações, Lágrimas Negras, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, e Naquela Mesa, de Sérgio Bittencourt.

 

O show não terá convidados, diferentemente do álbum, que contou com participações da mexicana Julieta Venegas, Lirinha e Céu. Acompanhado de sua banda, Otto também cantará faixas de seus discos anteriores. "Claro que tem o brilho das músicas mais recentes, mas eu me apego muito às antigas. É uma pena que tem essa coisa chata de ter o tempo regulado. Se deixassem eu ia até as 8 da manhã, mas hoje estou me controlando mais", comenta.

 

Otto. Auditório Ibirapuera.  Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.º, telefone 3629-1014.  6.ª e sáb., às 21 h. R$ 30

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