Osesp toca "As Estações", de Haydn

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) enfrenta esta semana uma verdadeira maratona. O grupo fará três apresentações na Sala São Paulo (amanhã, sexta e domingo), além de, no sábado, abrir o 31.º Festival de Inverno de Campos do Jordão. A regência fica a cargo do maestro e diretor da orquestra John Neschling e, no programa, está uma obra que raramente aparece por aqui: As Estações, de Joseph Haydn. Em Campos, a orquestra repete o programa da semana passada, com obras de Sibelius, Albniz, Respighi e Ravel.Nascido em 1732, Haydn não é um compositor estranho para a orquestra. "Interpretar Haydn ajuda a orquestra em seu processo de evolução artística", diz Neschling. Ela apresentou, no início do ano passado, a obra A Criação, composta em 1798. "Esse concerto segue uma tradição da orquestra na execução de Haydn e, também, reafirma a atitude de ter freqüentemente no programa peças do repertório sinfônico-coral" lembra Neschling. Nos últimos dois anos, o conjunto já apresentou a Sinfonia n.º 2, de Mahler, a Missa Solene, de Beethoven e, ainda neste ano, vai executar a Nona de Beethoven no encerramento do Festival de Campos do Jordão, e o War Requiem, de Benjamin Britten, em dezembro. No ano que vem, a Osesp deve abrir sua temporada oficial com a Missa em Si Menor, de Bach.Composta em 1801, As Estações tem forte relação com a literatura, que definiu grande parte da obra de Haydn. A obra, que tem poemas de James Thomson, surge em um momento em que o compositor estava envolvido com a poesia sentimental pré-romântica e o estilo rococó francês. "É uma obra imensa, não só no que diz respeito a seu tempo de execução, como em termos de qualidade e brilhantismo", indica o maestro, ressaltando o desafio implícito na tarefa de interpretar a peça.Uma das principais características da obra, assim como da obra de Haydn, é a coexistência de elementos barrocos, clássicos e românticos. A peça mostra a influência de Haendel (na década de 1790, Haydn esteve na Inglaterra por duas vezes , entrando em contato com a obra do compositor), a percepção clara do classicismo e, ao mesmo tempo, consegue prever elementos que estarão presentes na obra de Beethoven, Schubert e Weber, por exemplo. "É a marca de um grande gênio, que consegue resumir aquilo que foi, é e o que será", afirma o maestro. E completa: "É esse ecletismo que torna sua obra interessante".Solistas - Para as apresentações foram convidados três solistas de grande expressão na cena lírica internacional. De origem irlandesa, a sopramo Orla Boylan tem feito apresentações em casas destacadas da Europa, como O Glyndebourne. Com carreira bastante desenvolvida também na Europa, o tenor Donald George tem em seu currículo apresentações com grandes orquestras, como as Filarmônicas de Israel e Londres, e maestros como Kurt Masur e Leonard Bernstein, com quem gravou Candide. Destaque, também, para o baixo austríaco Sebastian Holecek, membro do elenco da Wiener Volksoper e da Wiener Staatsoper desde 1993, tendo interpretado papéis em óperas como Don Giovanni, As Bodas de Figaro e O Morcego. "São cantores de vozes muito bonitas, bastante adequadas a esse repertório". Serviço - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Sob regência de John Neschling. Quinta e sexta, às 21 horas; domingo às 17 horas. De R$ 10 a R$ 30. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. 3337-5414

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