Osesp tem um ano para 'arrumar a própria casa'

Marin Alsop diz que 2015 vai servir para refinar sonoridade do grupo

João Luiz Sampaio - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2014 | 03h00

A temporada 2015 da Orquestra Sinfônica do Estado (Osesp) terá 36 diferentes programas sinfônicos e elegeu como tema Os Lugares da Música. Será um ano, nas palavras da maestrina Marin Alsop, diretora musical e regente titular do grupo, de “ficar em casa e arrumar algumas questões internas, tendo em vista um novo patamar de execução musical”: segundo ela, o objetivo será “mergulhar mais profundamente no repertório, refinando nossas interpretações e a nossa sonoridade”.

Para Alsop, essa era uma das reivindicações dos próprios músicos, que no último ano reclamavam do excesso de trabalho, que impedia a preparação mais cuidadosa de cada concerto, por exemplo, e pediam uma maior participação na hora da preparação da temporada. Não por acaso, entre as questões internas a que se refere a maestrina está a necessidade de preencher vagas deixadas abertas pela decisão de alguns músicos, como o ex-spalla Claudio Cruz ou o primeiro violoncelo Johannes Gramsch, de deixar a orquestra. “Os artistas estão famintos por novas experiências artísticas e vamos fazer isso próximos de nossa plateia, estreitando ainda mais os nossos laços com o povo de São Paulo enquanto criamos uma orquestra de nível internacional.”

Esse caráter mais reflexivo mantém ligação com o próprio tema da temporada, Os Lugares da Música. Mais do que pautar a escolha de repertório, o tema, explica o diretor artístico Arthur Nestrovski, é uma provocação que serviu de guia na preparação não apenas dos concertos sinfônicos como de outras séries, que incluem recitais, concertos de câmara ou do coro. “Os lugares da música podem ser muitos, desde os espaços destinados à prática musical, como a própria Sala São Paulo, até as cidades, bairros e ruas que são berços musicais. Podem ser ainda os lugares da música na atualidade, no contexto sócio-econômico; ou ainda os lugares da música na vida de cada pessoa”, explica Nestrovski.

Ao todo, 70 artistas convidados participarão dos concertos. O compositor visitante será o norte-americano John Adams e o compositor transversal, o japonês Toru Takemitsu. O artista em residência será o pianista Arnaldo Cohen. Foi programado também um ciclo intitulado Quem Tem Medo de Schoenberg, além de um ciclo com as sinfonias de Brahms. A orquestra vai homenagear ainda os compositores Carl Nielsen (150 anos) e Alexander Scriabin (100 anos). Mendelssohn terá diversas obras apresentadas ao longo do ano, assim como Strauss. 

Entre os artistas convidados, estão a pianista Angela Hewitt; a volta do maestro Kristian Järvi, além de Osmo Vänska (que estreia obra de Aylton Escobar); e o barítono Mathias Goerne, que vai interpretar obra de Marc-André Dalbavie, co-encomenda da Osesp com a Orquestra de Paris e a Filarmônica de Londres.

Entre as encomendas, além das peças de Escobar e Dalbavie, estão novas partituras de Aurélio Edler-Copes, Paulo Costa Lima, Egberto Gismonti, Clóvis Pereira, Antonio Ribeiro, Gunther Schueller e André Mehmari. A série de recitais terá, além de Arnaldo Cohen, o violoncelista Antonio Meneses e os pianistas Nelson Goerner, Cristian Budu e Éric Le Sage.

Governo quer mudar contrato de gestão

A orquestra entra em 2015 em meio à negociação para a renovação do contrato de gestão entre a Fundação Osesp e o governo. O prazo se encerra em outubro de 2015, mas a questão já vem sendo discutida internamente, por conta de uma proposta de mudança feita pelo governo com relação à forma do contrato.

O Estado apurou que, entre as questões, está o destino da verba dada pelo governo à orquestra – o dinheiro não utilizado retornaria à secretaria e seriam criadas regras também para a verba obtida de iniciativa privada.“Nós lançamos uma nova minuta que vai orientar a renovação do contrato. Ela procura tornar mais claros alguns pontos e, entre eles, está a destinação de verbas ao final dos contratos. Mas esse processo está relacionado às especificidades de cada OS”, diz o secretário Marcelo Araújo, ressaltando que a Osesp é prova do “sucesso” das OSs.

E quais seriam as mudanças na questão da destinação da verba? “Existem diferentes verbas: as do Estado, as levantadas por meio de leis de incentivo, e outras, como bilheterias e locações. O importante para nós é manter a dimensão pública destas verbas, para que elas sejam utilizadas nas atividades propostas pelo contrato.”

Todos os destaques da temporada

Maestros convidados

Além dos concertos com a titular Marin Alsop, a Osesp vai receber alguns maestros convidados. Entre eles, o compositor John Adams, que além de obras suas, vai reger a sétima sinfonia de Beethoven; Kristian Järvi, responsável, há alguns anos, por alguns dos principais concertos da história do grupo; o francês Louis Langrée; o finlandês Osmo Vänska; e o brasileiro Isaac Karabtchevsky, que vai reger obras de Schoenberg, além de continuar a gravação das sinfonias de Villa-Lobos.

Solistas

A lista é extensa, a começar pelo artista em residência, o pianista Arnaldo Cohen. Entre os destaques, três cantores: o barítono Mathias Goerne (que estreia obra de Marc-André Dalbavie); e as soprano Miah Persson, que canta as Quatro Últimas Canções de Strauss, e Measha Brueggergosman, em concertos com spirituals e oratório de Michael Tippet. Angela Hewitt, Nelson Goerner e Bertrand Chamayou são alguns dos pianistas convidados. E a lista inclui ainda o violista Antoine Tamestit, a violinista Patricia Kopatchinskaja e o trompetista Hakan Hardenberger.

Ciclos

Quem Tem Medo de Schoenberg terá concertos sinfônicos e de câmara, com participação de Karabtchevsky (que rege o monumental Gurre-Lieder), do spalla e maestro Emmanuele Baldini e da soprano Manuela Freua, entre outros. Marin Alsop rege as quatro sinfonias de Brahms. A orquestra também encerra um ciclo dedicado a Sibelius e inicia dois outros, homenageando Carl Nielsen e Alexander Scriabin. Mendelssohn e Strauss também são presença marcante na temporada.

Compositores

John Adams é o compositor visitante e o japonês Toru Takemitsu, o compositor transversal. Além disso, a Osesp fará a estreia de peças de Aylton Escobar, Marc-André Dalbavie, Aurélio Edler-Copes, Paulo Costa Lima, Egberto Gismonti Clóvis Pereira, Antonio Ribeiro, Gunther Schueller e André Mehmari - elas serão apresentadas na série sinfônica e também na programação de música de câmara.

Gravações

A orquestra continua os ciclos dedicados às sinfonias de Villa-Lobos e Prokofiev e vai registrar também o concerto para violão e orquestra do brasileiro, com Manuel Barrueco como solista. Marin Alsop e Arthur Nestrovski começam a pensar em um ciclo Mahler - mas a ideia, ainda incipiente, seria fazer o registro em vídeo.

Assinaturas

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-De 20/10 a 10/11: renovação para já assinantes

-De 11/11 a 25/11: trocas para os assinantes que identificaram essa intenção na primeira fase

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(osesp.art.br/saladoassinante)

-De 21/12 a 4/1: novas assinaturas, apenas pela internet

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