Osesp resgata sua memória

Jornais, cartas, programas de apresentações, manuscritos, fotos, vídeos e gravações são elementos que fazem parte da vida diária de uma orquestra. No entanto, como a memória é algo comumente deixado de lado, eles acabam se perdendo, tornando a tradição das orquestras algo difícil de se apreender.Com isso em mente, e tendo como objetivo possibilitar o resgate de uma parcela da história musical do País, a diretoria da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) inaugura, nessa quarta, o Centro de Documentação Musical Eleazar de Carvalho (CDM).A idéia de criar o centro surgiu com o processo de reestruturação da orquestra, iniciada há alguns anos pelo maestro John Neschling. "Encontramos nos arquivos da orquestra grande número de partituras que, apesar de bem conservadas, eram mantidas de maneira desorganizada devido à falta de recursos", lembra a diretora-executiva da Osesp, Cláudia Toni. "O que mais assustou foi perceber que a orquestra se encontrava sem memória".A partir desse quadro, a orquestra passou a formular um projeto para a criação de um centro que reunisse informações de referência sobre sua produção musical. "Nossa intenção é manter esse material organizado e torná-lo acessível aos músicos e ao público".O centro vai funcionar como referência e fonte de estudo para músicos e para o público em geral. Estarão disponíveis partituras de bolso, gravações em vídeo e em CD, manuais de música, além de mais de 1.400 partituras, utilizadas ao longo dos mais de 40 anos de atividade da orquestra. "Os músicos, por exemplo, que tiverem interesse em conhecer a peça que vão interpretar poderão recorrer ao centro para ouvir gravações e aprender mais sobre a sua história e a de seu compositor".No entanto, reunir um acervo é uma tarefa das mais complicadas. "Vamos aos trancos e barrancos, tentando superar problemas como o alto preço de alguns materiais", indica Cláudia. Só para se ter uma idéia, um conjunto de partituras pode chegar a custar US$ 900. Além disso, no estágio atual em que está o mercado de gravações de música erudita, encontrar gravações exige uma grande dose de paciência e disposição para desembolsar quantias, muitas vezes, bastante altas.A princípio, estão disponíveis partituras de compositores cuja obra já é de domínio público. "Conseguimos o empréstimo na Europa de partituras de peças de compositores como Strauss e Stravinski, mas temos de devolvê-las após os concertos". Outro ponto importante é a disponibilização das partituras para outras orquestras. "Não há porque não ajudar os outros grupos do País, que enfrentam as mesmas dificuldades a que estamos acostumados", diz Cláudia.Gravações - Um dos destaques do projeto é a documentação das apresentações. A gravação dos concertos tornou-se um hábito da Osesp nos últimos anos. Desde 97, os concertos estão sendo gravados e passados para CD. "São gravações que têm intenção puramente documental", ressalta, porém, Cláudia. Nos anos anteriores ao início do processo de reestruturação, a Rede Cultura estava habituada a gravar os concertos e esse material encontra-se nos arquivos da Fundação Padre Anchieta. "Estamos levantando esse material e passando para CD´s".O trabalho desenvolvido pela Editoria da Osesp, que tem levantado um número considerável de partituras originais de compositores brasileiros, também estará disponível no centro. "São partituras revisadas, trabalhadas e prontas para a execução, à espera de oportunidade para publicação". Para utilizar o centro, o interessado deve entrar em contato com a direção para marcar hora.Centro de Documentação Musical Eleazar de Carvalho. Estação Júlio Prestes. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. (0--11) 3351-8190

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