Osesp recria música colonial brasileira

O maestro Roberto Minczuk, que anunciou nesta semana seu desligamento da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, rege a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) em dois concertos da série Projeto Criadores do Brasil, que, ao longo do ano, tem trazido ao público obras do repertório nacional freqüentemente deixadas de lado pelos grupos orquestrais do País. Ao lado da meio-soprano Sílvia Tessuto, do tenor Juremir Vieira, do baixo Pepes do Valle e da soprano Andrea Ferreira, o grupo vai promover a primeira récita da Missa em Ré Maior de João de Deus Castro Lobo, datada do século 18. Também no programa a Sinfonia Fúnebre, de José Maurício Nunes Garcia, e a Sinfonia n.º 8 em Si Menor (inacabada), de Schubert.As peças escolhidas para o concerto mostram a busca da Osesp em recriar a tradição musical colonial brasileira. Frutos do trabalho de Rubens Ricciardi, as revisões das peças, até então carentes de maior atenção e cuidado, contribui para o mapeamento do trabalho de compositores brasileiros ao longo dos séculos e a relação da música com a sociedade.Composta em um momento no qual a música litúrgica tinha importância capital, símbolo da grande influência que a Igreja exercia sobre os diversos aspectos da vida social, a Missa em Ré Maior, de Castro Lobo, representa uma ruptura em relação a formas antigas de composição. Sua estrutura exige uma grande quantidade de cantores e instrumentistas, com grande destaque para a necessidade de interpretação, muitas vezes, virtuosística.Ricciardi promoveu a revisão da peça a partir da transcrição de Cleofe Person de Mattos, a qual ele confrontou com os manuscritos do Museu da Inconfidência. Também se destacou ao recuperar a partitura da Sinfonia Fúnebre, do padre José Maurício Nunes Garcia. Para o trabalho, que mostra a peça como uma das mais expressivas do repertório brasileiro, ele utilizou autógrafos e outros manuscritos guardados na Biblioteca Alberto Nepomuceno da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ricciardi confrontou esses documentos com cópias da partitura presentes na Lira Sanjoanense, de São João Del Rey.Iniciada por Schubert em 1822, a Sinfonia n.º 8 mostra a união de um realismo latente com a forma de expressão romântica. Foi interpretada pela primeira vez somente 40 anos depois de ser composta. Disse o compositor a seu respeito: "Nunca contarei, nunca usarei de subterfúgios com os sentimentos do coração, o que tenho em mim, dou-o como está, tudo de uma só vez."Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Quinta, às 21h; sábado, às 16h30. De R$ 10 a R$ 30. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel.: 3337-5414

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