Osesp programa temporada 2002

Os maestros John Neschling e Roberto Minczuk, ao lado do secretário de Estado da Cultura, Marcos Mendonça, anunciaram no domingo à tarde a temporada 2002 da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). Com 38 programas diferentes, a temporada vai custar aos cofres públicos como no ano passado, R$ 16 milhões, e terá início no dia 7 de março, com o Magnificat em Ré Maior de Bach e a Sinfonia n.º 1 de Mahler.Dos 38 programas, a orquestra fará 26 concertos, o Coro da Osesp se apresentará sozinho oito vezes e outros quatro recitais vão contemplar a música de câmara com conjuntos como a Camerata Fukuda e o Quarteto Amazônia, e solistas convidados, como Antonio Menezes. Segundo John Neschling, o motivo da redução (no ano passado, a orquestra fez 38 concertos) é o envolvimento do grupo com outros projetos, como a turnê pelos Estados Unidos (que vai exigir ao todo oito semanas de trabalho: 3 de ensaios e 5 de viagem) e a gravação de mais 5 discos da série de 12 que a Osesp está preparando com o selo sueco Bis.Essa situação, segundo Neschling, também explica o porquê da redução do número de regentes convidados, que em 2002 serão apenas sete. "Tendo em vista esses vários projetos, achamos melhor deixar a orquestra o maior tempo possível sob a minha direção ou a do Roberto (Minczuk), para manter o trabalho da criação de uma sonoridade que temos tentado fazer", diz o maestro.Destaques - Entre os destaques da programação do ano que vem está a presença do compositor e regente italiano Luciano Berio. Aos 82 anos, Berio é um dos maiores nomes da música contemporânea e virá reger, em junho, três de suas peças, inclusive a famosa Sinfonia para 8 Vozes e Orquestra, que ele dedicou ao conjunto Swingle Singers (que também virá a São Paulo para a apresentação).Também foi confirmada a apresentação da ópera O Ouro do Reno, primeira da tetralogia O Anel dos Nibelungos, de Richard Wagner. Com cantores estrangeiros e brasileiros, a produção não entra no orçamento de R$ 16 milhões e será patrocinada, segundo Neschling, pela iniciativa privada.Entre os regentes convidados, nomes importantes, como Sergiu Comissiona (que faz em setembro concerto com obras de Franck, Elgar e Berlioz com o violoncelista Torleif Thedéén) e Okko Kamu, finlandês que vem a São Paulo reger obras de Nielsen, Sibelius, Stravinski e Prokofiev. O alemão Hans Graf, que já foi diretor da Orquestra do Mozarteum de Salzburgo, vai reger um concerto com obras de Mozart e Beethoven e o Concerto para Mão Esquerda de Ravel, na interpretação do pianista Michel Beroff. O brasileiro Luiz Gustavo Petri rege, em setembro, a Sinfonia Op. 20 de Ernest Chausson. Shlomo Mintz, Lynn Harrell, Gilberto Tinetti e Elizabeth Whitehouse são alguns dos solistas que vão participar da temporada.A Sinfonia n.º 7 e o Adágio da Sinfonia n.º 10, que serão regidos por Minczuk em março e Neschling em dezembro, dão seqüência ao projeto da Osesp de interpretar todas as sinfonias de Mahler (ficarão faltando apenas a oitava e a nona, ainda sem data prevista de execução).O compromisso com a música brasileira também será mantido, com obras de Alexandre Levy, Villa-Lobos, Edino Krieger e Marlos Nobre, entre outros. O mesmo vale para o repertório do século 20: Shostakovich, Ravel, Britten, Schoenberg e Stravinski voltam à programação da orquestra.Na turnê pelos Estados Unidos, a orquestra vai fazer 25 concertos, em grandes centros como o Avery Fisher Hall, em Nova York. O projeto está sendo bancado pela Cami, agência de orquestras como as filarmônicas de Viena e Berlim, e é considerado por Neschling uma preparação para a turnê de 2003, pela Europa. No programa, obras de autores brasileiros e de compositores consagrados como Brahms e Tchaikovski. "É um desafio ser escalado não apenas para tocar o repertório brasileiro, mas também o de outros compositores consagrados, na mesma série de concertos da qual faz parte a Filarmônica de Berlim, por exemplo", diz Neschling.Além da continuação da gravação das sinfonias de Camargo Guarnieri, a Osesp vai começar, em julho, a registrar a integral das Bachianas Brasileiras, de Villa-Lobos, com regência de Minczuk. No ano que vem também serão gravadas sinfonias de Claudio Santoro e o Concerto para Dois Violões de Marlos Nobre, com o Duo Assad. Os dois discos já gravados (um com sinfonias de Guarnieri e outro com a ópera Jupyra, de Francisco Braga) serão lançados antes da viagem pelos Estados Unidos.

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