Osesp interpreta ?Sinfonia Fausto? de Franz Liszt

Após se arriscar na execução da Quarta Sinfonia de Mahler, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo encara outro desafio. Os concertos de amanhã e sábado, na Sala São Paulo, reúnem duas peças bastante complexas do repertório orquestral: a Sinfonia n.º 5 op. 60 (Prometeu), do russo Alexander Scriabin, e a Sinfonia Fausto, de Franz Liszt. À frente da orquestra estará o maestro alemão Roger Epple, acompanhado ao piano pelo italiano Giuliano Montini e pelo tenor brasileiro Rubens Medina. O concerto conta ainda com a participação do Coral Sinfônico do Estado, liderado por Naomi Munakata.Composta em 1911, a Sinfonia n.º 5 foi escrita em um momento em que Scriabin estava envolvido com o estudo da teosofia e acreditava ter sido indicado por Deus para salvar o mundo da destruição. O caminho ideal para tal tarefa seria a união das artes, que permitiria a descoberta de uma grande revelação capaz de devolver aos homens o bom senso.Essa posição é explicitada no acorde básico em torno do qual gira toda a sinfonia, chamado por Scriabin de "acorde místico-erótico". "As transformações processadas sobre esse acorde são a base de toda a peça, bastante avançada para sua época", afirma o maestro Epple, que acredita ser essa obra um marco na carreira de Scriabin. "Essa é sua última peça orquestral, o clímax de seu desenvolvimento como compositor."Uma das muitas adaptações feitas a partir da história de Fausto, a Sinfonia Fausto, de Liszt, é uma análise cuidadosa sobre a idéia do pecado. Seu primeiro movimento é dedicado a Fausto, marcado por momentos em que a música configura-se praticamente atonal. Já o segundo movimento fala da jovem Gretchen, pela qual ele se apaixona e seu desenvolvimento serve de base para a caracterização do que, na visão de Liszt, seria o amor puro e verdadeiro.Um dos maiores terceiros movimentos já escritos, o da Sinfonia Fausto, trata de Mefistófeles e é seguido da introdução do coro masculino. "Liszt escreveu uma sinfonia em que, como na obra de Goethe, as personagens apresentam-se de maneira bastante profunda, sem maniqueísmos e análises superficiais de caráter", indica Epple. Para ele, a pouca freqüência com que são executadas essas peças pode ser explicada pela sua complexidade. "São peças difíceis, que exigem, além de um trabalho árduo, a presença de uma grande orquestra."Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Regência de Roger Epple. Quinta, às 21 horas, e sábado, às 16h30. De R$ 10 a R$ 30. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, em São Paulo, tel. 3337-5414.

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