Osesp homenageia compositores russos

Após enfocar o romantismo alemão nos concertos da semana passada, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo presta, quinta e sábado na Sala São Paulo, uma homenagem a dois dos principais compositores russos: Tchaikovski e Prokofiev. Sob a regência do maestro Djansug Kakhidze, a orquestra recebe ainda o jovem violinista Julian Rachlin.Na primeira parte do concerto, Khakidze rege o Concerto n.º 2 em Sol Menor Op. 63 para Violino e Orquestra, de Sergey Prokofiev, tendo ao seu lado Rachlin, que toca em um violino Carrodus 1741 Guarnierius de Gesú, emprestado pelo Banco Nacional da Áustria.De 1935, a peça foi escrita em homenagem ao violinista francês Robert Soetens. Prokofiev iniciou a composição em Paris, escreveu os temas principais do segundo movimento em Voronezh, completou a orquestração em Baku e a estreou em Madri. "Reflexo da minha existência nômade", escreveu anos mais tarde o compositor.Vivendo ao lado de compositores como Rimsky-Korsakov e Glasunov, Prokofiev é hoje considerado, ao lado de Igor Stravisnky, um dos dois principais criadores russos da primeira metade do século 20. Isso porque, além de possuir uma visão crítica própria da história da música ocidental, soube incluir em suas composições aspectos folclóricos da cultura russa. Outro ponto a seu favor é a grande difusão que suas obras alcançaram - é um dos compositores contemporâneos mais executados no mundo.Além de seus dois concertos para violino e orquestra, outras de suas peças, como Pedro e o Lobo (utilizada para familiarizar as crianças com os instrumentos de uma orquestra) e a Cantata Alexandre Nevsky, trilha sonora do filme de Sergei Eisenstein, são grandes conhecidas do público das principais casas de concerto. Também merecem destaque o balé Romeu e Julieta e a Sinfonia Clássica.Repressão - Se Prokofiev foi aclamado como um compositor preocupado em traduzir em suas obras as raízes russas, esse mesmo argumento foi utilizado por críticos e músicos (em especial o chamado Grupo dos Cinco, composto pelos compositores Balakirev, César Cui, Borodin, Rimski-Korsakov e Mussorgski) para acusar Tchaikovski de deixar de lado o aspecto folclórico em suas composições, optando pela utilização de uma espécie de espírito universal europeu. A acusação, hoje, soa estranha e, em especial na Sinfonia n.º 5, são encontrados aspectos que remetem à tradição russa. Tchaikovski escreveu a peça em um momento bastante conturbado de sua vida. Pouco antes de concluí-la, em 1888, o compositor ainda sentia pesar nas costas a opressão da sociedade por causa dos problemas que teve com a esposa.Homossexual enrustido, Tchaikovski não conseguiu consumar seu casamento, o que fez com que a sociedade repressora da época fizesse cair sobre ele uma crítica severa. O resultado é uma obra densa, que mostra o estado de depressão e desespero de um compositor em conflito consigo e com a sociedade em que vive.Imaginação - Em entrevista, Kakhidze conta que aceitou o convite da orquestra para tocar essas duas peças pois elas fazem parte "do que há de melhor no repertório". "São peças muito diferentes, que exigem do maestro e dos músicos, cada uma à sua maneira, um grande esforço para se compreender as nuances e as possibilidades interpretativas das obras", afirma o maestro, diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica de Tbilisi e do Teatro Paliashvili de Ópera e Balé na capital da Geórgia.Jovem revelação da música russa, o violinista Julian Rachlin faz parte, aos 25 anos, de uma nova geração que evoca a Antiga Escola Russa em sua interpretação. Não é para menos, uma vez que um de seus primeiros professores foi o prestigiado pedagogo Boris Kuschnir.Tendo gravado com grandes orquestras e maestros, Rachlin recebeu, em 1998, o Prêmio da Crítica Gramophone Classical Good CD Guide, pela gravação do Concerto n.º1 para Violino e Orquestra de Prokofiev e do Concerto para Violino e Orquestra de Tchaikovski, ao lado da Orquestra Sinfônica da Rádio de Moscou, dirigida por Vladimir Fedseyev.Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo - Regência de Djansug Khakidze. Amanhã (26), às 21 horas e sábado às 16h30. De R$ 10,00 a R$ 30,00. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. 3337-5414.

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