Osesp faz panorama da música de câmara brasileira

A busca pelo redescobrimento da música brasileira motivou a Osesp a criar o Projeto Criadores do Brasil. No entanto, ao contrário do que tem sido a tônica neste ano de comemorações pelo Descobrimento, o grupo tem procurado mostrar que para cumprir tal tarefa não basta, apenas, voltar-se ao passado. O concerto da semana passada e as apresentações desta semana têm como intenção fazer um panorama, mesmo que singelo, da produção contemporânea.Nesta quinta-feira, com repetição no sábado, músicos da orquestra interpretam um programa dedicado à música de câmara brasileira, desde o período barroco até os dias de hoje. Na primeira parte, eles interpretam a mais antiga obra brasileira para formação de câmara exclusivamente instrumental, Marcha, de Franscisco Gomes da Rocha. A peça, datada da segunda metade do século 18, será seguida por Bajulans, Miserere, Popule Meus e Herói Que Busca, de Manuel Dias de Oliveira.Na seqüência, com a participação do Coral Sinfônico do Estado de São Paulo, os músicos interpretam de Villa-Lobos uma versão encurtada da Missa de São Sebastião, de 1937. Por fim está Gilberto Mendes, que recentemente teve algumas de suas obras executadas na Rússia. Dele, os músicos tocam O Anjo Esquerdo da História, com texto de Haroldo de Campos, e o Motet o em Ré Menor (Beba Coca-Cola), baseado na poesia concretista de Décio Pignatari.A segunda parte tem início com uma volta ao chamado período barroco brasileiro, que pouco tem a ver com o barroco europeu. Do compositor Antônio da Silva Leite, será interpretada a Sonata n.º 1 para Guitarra com Acompanhamento de um Violino e Duas Trompas Ad Libitum, de 1792.Compositor de apenas 25 anos, o mineiro Cláudio de Freitas terá a oportunidade de acompanhar a primeira audição de seu Sexteto para Palhetas Duplas.Gilberto Mendes, um dos pioneiros da chamada música nova brasileira, volta à segunda parte com Ulysses em Copacabana, Surfando com James Joyce e Dorothy Lamour, que, composta em 1988, mostra a habilidade do compositor em reunir diferentes estilos e referências musicais sem que perder a unidade.A obra que encerra o concerto é de Villa-Lobos: Noneto - Impressão Rápida sobre Todo o Brasil, de 1923. O nome Noneto justifica-se não pelo número de pessoas, mas pela presença de nove corpos distintos no palco: sete instrumentos solistas, um grupo de percussão e uma voz, formada por integrantes do coro.A maestrina Naomi Munakata, que rege o coro e algumas peças do concerto, indica a importância deste tipo de apresentação. "Além de abrir espaço a instrumentistas brasileiros, possibilita aos músicos o trabalho em pequenos grupos, o que influencia bastante em suas formações." Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo - Amanhã (20), às 21 horas; sábado, às 16h30. De R$ 10,00 a R$ 30,00. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. 3337-5414.

Agencia Estado,

19 de julho de 2000 | 18h03

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