Osesp e Experimental encerram temporada 2001

Duas orquestras paulistas encerram neste fim de semana suas temporadas. A partir de hoje, na Sala São Paulo, a Sinfônica do Estado interpreta O Messias, de Handel, sob regência de Roberto Minczuck. Amanhã e domingo, no Teatro Municipal, a Experimental de Repertório, sob regência de Jamil Maluf, recebe o grupo Uakti para dois concertos da série Outros Sons.Uma das mais famosas e executadas peças do repertório sinfônico-coral, oratório sacro O Messias foi composto em 1741 e une passagens do Antigo e do Novo Testamento que tratam de temas como a salvação. Mais do que uma obra dramática, a peça é uma espécie de contemplação dos mistérios da vida de Cristo, que, no entanto, não foi muito bem recebida pela sociedade que, acusando o compositor de blasfêmia, fez com que O Messias passasse a ser executado apenas nove anos mais tarde, em benefício do Foundling Hospital, instituição de apoio a crianças abandonadas e desabrigadas.Para as apresentações deste fim de semana, a Osesp convidou pela primeira vez a contralto polonesa Urzula Kryger, o baixo-barítono neozelandês Martin Snell e o tenor James Taylor. A soprano brasileira Claudia Riccitelli, que também participa, já cantou ao lado da orquestra. Claudia, figura importante da atual fase do canto lírico nacional, participou no ano passado da interpretação do Réquiem de Guerra, do compositor inglês Benjamin Britten. O concerto confirma uma escolha que está se tornando comum na temporada da Osesp: uma grande obra coral (com a participação do Coro da Osesp, bem dirigido por Naomi Munakata) no início e outra no fim do ano. No ano que vem, a abertura será com o Magnificat em Ré Maior BWV 243 e o encerramento vai ser marcado com o Lobgesang Op. 52 de Mendelssohn.Outros Sons - Bastante diferente quanto ao repertório da Osesp serão os concertos da Experimental de Repertório no Teatro Municipal. Parte da série Outro Sons, que faz parte da temporada da orquestra desde 1983, o concerto vai colocar no mesmo palco os músicos da Experimental e os integrantes do grupo Uakti, que desenvolve um dos mais importantes trabalhos de pesquisa de novos instrumentos no Brasil e pela primeira vez apresenta-se com um conjunto sinfônico.O próprio nome do grupo é uma indicação do tipo de trabalho desenvolvido. Uakti era um ser que vivia próximo da aldeia dos índios tucanos, às margens do Rio Negro, e tinha o corpo aberto por vários buracos. Quando corria pela floresta, o vento, passando por meio do seu corpo, produzia sons incomuns e belos que atraíam as mulheres e enciumavam os homens, que mataram o Uakti. PVC, vidro, metal, pedra, borracha, cabaças e água são alguns dos elementos utilizados pelo conjunto na busca de novos sons. Daí a participação do grupo na série Outros Sons, que tem como intenção reunir a orquestra com nomes da música popular brasileira e internacional. Nos últimos anos, artistas como Gal Costa, Arrigo Barnabé, Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Madredeus e Wynton Marsalis trabalharam com a Orquestra Experimental de Repertório.Na primeira parte dos concertos de amanhã e domingo, o Uakti - que trabalhou recentemente com o compositor norte-americano Philip Glass - vai interpretar Raça, Mapa, Parque das Emas, Montanha-Música p/ um Templo Grego Trilobita e Bolero, com orquestrações de André Mehmari (que acaba de receber o primeiro prêmio do concurso Sinfonia para Mário Covas, realizado pelo governo do Pará, com a Sinfonia Elegíaca. Com orquestração de Marco Antônio Guimarães, diretor musical do grupo, o Uakti toca Onze e Hai Kai V. Na segunda parte, o maestro Jamil Maluf rege o Concerto para Orquestra de Bartok. A peça foi composta no início da década de 40, tendo sido encomendada pela Fundação Koussevitzky, que leva o nome do maestro russo que foi diretor da Sinfônica de Boston e trabalhou bastante na promoção das obras de compositores contemporâneos. Na verdade, a peça foi encomendada, em parte, para ajudar o compositor, aos 64 anos, em dificuldades financeiras. No entanto, o compositor foi capaz de produzir uma peça que é, hoje, um dos pilares do repertório sinfônico do século 20. A estréia foi feita com a Sinfônica de Boston sob regência de Koussevitzky, em dezembro de 1944, poucos meses antes da morte do compositor, em 1945. Apesar de ser chamada de concerto, a peça é uma sinfonia em cinco movimentos. O nome concerto foi escolhido, segundo o próprio Bartok, porque ele exige dos instrumentistas da orquestra - ao mesmo tempo que a unidade na interpretação - a capacidade de atuar como solistas, como pequenos conjuntos ou seções.Sinfônica do Estado de São Paulo - Hoje, às 21 horas; sábado, às 16h30 e domingo, às 17 horas. De R$ 10 a R$ 30. Sala São Paulo , Pça Júlio Prestes, s/n, tel.: 3337-5414.Orquestra Experimental de Repertório e Grupo Uakti - Sábado, às 21 horas; domingo, às 17 horas. De R$ 5 a R$ 10. Teatro Municipal, Pça Ramos de Azevedo, s/n, tel.: 222-8698.

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