Festival de Campos do Jordão
Festival de Campos do Jordão

Osesp é destaque da primeira semana do 49º Festival de Campos do Jordão

Orquestra contou boas histórias dos Alpes e dos Orixás

João Marcos Coelho, ESPECIAL PARA O ESTADO

06 Julho 2018 | 21h17

A orquestra no seu momento de máximo esplendor e monumentalidade foi o grande destaque dos concertos da primeira semana do 49.º Festival de Inverno de Campos do Jordão. No palco, 125 músicos. Sonoridades saturadas. E diferenciadas, pela inclusão de instrumentos exóticos como as máquinas de trovão e vento, órgão e as famosas tubas wagnerianas. Pois a Osesp programou poemas sinfônicos de Richard Strauss para o concerto inaugural (Don Juan, realizado no dia 30 de junho) e para o concerto deste sábado, 7 (Sinfonia Alpina), ambos no Auditório Cláudio Santoro, em Campos do Jordão. O concerto de quinta-feira, dia 5, reproduziu, na Sala São Paulo, o repertório da apresentação deste sábado.

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Música de programa, a Alpina conta uma história. Descreve a escalada e descida de uma montanha nos Alpes Bávaros. O compositor participou de uma dessas excursões na juventude e “conta” a aventura desde o raiar do dia até o retorno final. Brinca até com os temas: ascendente na subida; descendente na descida da montanha.

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Antes da execução, Marin Alsop disse que, ao tocar a Sinfonia Alpina, a Osesp homenageia o maestro inglês Frank Shipway (1935-2014), o favorito da orquestra por vários anos e responsável pela gravação mais premiada e elogiada da Osesp em sua existência: justamente a desta sinfonia (BIS, 2012). Tributo desigual, já que a interpretação ficou a meio caminho entre o entusiasmo, previsível numa partitura que pede grandes volumes sonoros, e pequenos deslizes, sobretudo nos metais, muito exigidos. Longe, portanto, da performance irretocável de Shipway, eternizada naquela formidável gravação de seis anos atrás.

Na primeira parte, a Sinfonia dos Orixás, de José Antonio Almeida Prado, infelizmente morto em 2010 aos 67 anos. Foi composta para festejar os 10 anos da Orquestra Sinfônica de Campinas, que àquela altura fazia um inovador trabalho de popularização da música clássica e provocava compositores contemporâneos a saírem de suas zonas de conforto e se aproximarem mais do grande público. Esta sinfonia faz isso muito bem. Mergulha no riquíssimo universo rítmico do mundo da umbanda. Dois temas principais trafegam por 15 cantos dos orixás: “O tema dos orixás femininos vai se construindo ao longo da sinfonia”, escreve Carlos Fiorini, autor de uma tese sobre a obra. “Já o tema dos orixás masculinos é apresentado como tema completo e vai se diluindo até o final.” Música que não oferece grandes obstáculos de execução, exceto à vasta percussão. Uma execução empenhada da Osesp, enxertada com bolsistas do Festival de Inverno.

Antes do concerto, houve a exibição em pré-estreia, do primeiro dos seis documentários Work in Progress, sobre a Osesp, que serão exibidos no Canal Arte 1 a partir da próxima quinta-feira, dia 12, às 22 horas. No primeiro, uma “aula” de regência por Alsop.

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