Osesp anuncia início da busca por novo diretor

Comitê será formado por cinco pessoas e escolherá novo nome, embora ainda não haja data para esse anúncio

João Luiz Sampaio, de O Estado de S. Paulo,

05 de março de 2009 | 18h36

A Fundação Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) anunciou na tarde desta quinta-feira, 5, a formação do comitê que será responsável pela escolha do novo diretor artístico do grupo, cargo deixado vago pelo maestro John Neschling, demitido no início do ano. Segundo o presidente do Conselho de Admnistração da fundação, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o comitê será formado por dois membros do conselho (Persio Arida e Luiz Schwarcz), dois músicos (Ddarrin Coleman Milling e outro a ser definido), pelos dois especialistas internacionais contratados para a ajudar a Osesp na transição (o americano Henry Fogel e o inglês Timothy Walker) e o diretor-executivo da Osesp, Marcelo Lopes. Não há, no entanto, definição quanto à data em que o comitê anunciará suas escolhas.   Veja também:  Osesp, notas de uma travessia  Tortelier estreia como regente titular da Osesp   "Serão eles a recomendar ao conselho um nome, mas os procedimentos que devem pautar a procura do novo diretor artístico ainda serão definidos", disse Fernando Henrique em encontro com a imprensa na Sala São Paulo. "O certo é que maestros serão considerados a partir de agora e todos aqueles convidados para reger a orquestra estarão sendo avaliados", completou. O contrato do maestro John Neschling, que acumulava as funções de diretor artístico e regente titular, terminaria no final de 2010. Até lá, o maestro francês Yan Pascal Tortelier será o regente titular interino. Já a direção artística ficará a cargo dos especialistas estrangeiros e de Marcelo Lopes. Também presentes, tanto Fogel quanto Walker desmentiram a informação de que o ideal para a Osesp seria ter dois profissionais e não apenas um como diretor e maestro. "Não há um modelo ideal", disse Walker. "Quando se pergunta quem manda, essa é a pergunta errada. Uma orquestra dá certo quando não dá para saber ao certo de quem é a última palavra, quando existe uma parceria", emendou Fogel. Já o vice-presidente do conselho, o bancário Pedro Moreira Salles, foi mais categórico. "Nossa função é promover a institucionalização da orquestra, o que significa que uma só pessoa não pode ter todo o poder. Se isso acontecer, estaremos voltando de onde viemos. Seria um erro." O ex-presidente Fernando Henrique concorda. "Nada de fulanizar a orquestra."   Quanto à programação da temporada de 2010 da Osesp, Walker, que é diretor executivo da Sinfônica de Londres, afirma que o foco deve ser manter o equilíbrio entre grandes obras da tradição, peças contemporâneas e estreias de compositores brasileiros. O mesmo critério deve pautar o plano de gravações da orquestra. "Há bons projetos sendo encaminhados e outros auspiciosos, como a ideia de criação de um selo próprio da orquestra", disse. Segundo Fogel, está mantida a turnê que a Osesp faria pelos Estados Unidos em outubro. "Convidamos o maestro Tortelier para comandar a orquestra durante a viagem mas ele não estava disponível. E, por sugestão de Tim Fox, da agência CAMI, responsável pela turnê, fizemos um convite a um jovem regente norte-americano, Kazem Abdullah, de 29 anos, que acaba de reger com sucesso no Metropolitan Opera de Nova York." Os membros do conselho não quiseram adiantar qual acreditam ser o perfil do novo diretor. Afirmaram, no entanto, que a Osesp tem muitos atrativos para maestros que estejam no mercado internacional. "Uma grande sala, uma administração eficiente, um apoio estatal seguro, um conselho forte, um bom programa educacional, uma editora, um fuso horário que não é ruim. E, além de tudo isso, é uma boa orquestra. Acreditem quando eu digo que a situação da Osesp é invejável", disse Walker.

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