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Osesp abre temporada celebrando o prazer de fazer música

Agora diretora musical, Marin Alsop montou programa marcado pela diversidade

João Marcos Coelho, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2014 | 20h38

Diversidade e prazer. Estas palavras definem o que procura o público quando vai a um concerto. Felizmente, ambas se aplicaram à abertura da temporada 2014 da Osesp, no dia 13 deste mês, na Sala São Paulo. A Missa Brevis de Leonard Bernstein, pequena peça coral com contratenor solista e percussão, combina originalidade e leveza de escrita coral; um concerto para piano exuberante que é “hit” há mais de um século, o segundo de Rachmaninov;  e uma sinfonia que foge do comum, a nº 3 de Saint-Saëns, com órgão. Tamanha diversidade engendrada por Marin Alsop, agora também diretora musical, deixou a plateia alerta, à espreita do que viria - mesmo que a maioria lá estivesse só para curtir o Rach-2. No palco, uma centena de músicos descansados, alegria e o prazer de fazer música estampando-se em cada rosto. Alsop, construiu uma noite agradável, com interpretações mais do que corretas - entusiasmantes até.

O concerto, aliás, comprovou a justa tese do escritor checo Milan Kundera. Apaixonado por música, diz que nossa sensação da beleza é condicionada ao conhecimento de uma data: “Se sentimos prazer estético diante de uma sonata de Beethoven, por que não sentimos a mesma coisa diante de outra no mesmo estilo e com o mesmo encanto quando ela é assinada por um de nossos contemporâneos? Não é o máximo da hipocrisia?” Claro que é. Afinal, a vida musical compõe-se de camadas sobrepostas, o novo convive com o conhecido, o presente com o passado. E isso não implica preconceito contra compositores como Rachmaninov e Saint-Saëns, vítimas preferenciais da vanguarda xiita. O britânico Peter Franklin é um dos primeiros a mostrar a miopia da viseira ideológica recalcando os compositores que não rezavam pela cartilha modernista e esmiuçar o escárnio que sofreram no livro Reclaiming Late-Romantic Music: Singing Devils and Distant Sounds (Ed. da Universidade da California, 2014). 

Será que vale a pena repetirmos parcialmente hoje a pergunta de Tolstói à queima-roupa para Rachmaninov em 1900, quando este compunha o concerto que assistimos anteontem na Sala São Paulo: “Que tipo de música é mais necessário ao homem?” A resposta é que não precisamos escolher. É imperativo conhecer a música de invenção do nosso tempo. Mas não só isso. Música também é fruição, prazer. Somos polifônicos, segundo o sociólogo francês Pierre-Michel Menger. 

Por isso, curtir a perfeição e a beleza tradicional também é indispensável: o ajuste fino de Bernstein percorrendo uma missa em 12 deliciosos minutos nos encanta; a inevitável submissão à beleza melódica de Rachmaninov combinada com doses exatas de virtuosismo pianístico (Garrick Ohlsson foi cirúrgico, ao recusar o brilho fácil e concentrar-se em filigranas; até a orquestra ajustou-se dinamicamente ao solista anteontem!). E a maestria de Saint-Saëns, ele mesmo excepcional pianista e organista, numa sinfonia franckista de 1886 que retrabalha circularmente o tema inicial em toda a obra, com destaque para o movimento mamute de 20 minutos onde o órgão apenas acolchoa ora as cordas, ora as madeiras e metais em uníssono, e só explode, gigante sonoro, no movimento final.

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