Os Tribalistas vão ao cinema

Sem shows, fora da televisão e com raras entrevistas a jornais e revistas, Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes fecham o ano no vapor de um projeto fonográfico bem sucedido e de divulgação inédita no Brasil. Como Tribalistas, termo que criaram para expressar a idéia de criação coletiva, batizaram um CD e um DVD que não param de dar lucro.A sala 9 do Shopping Jardim Sul vai exibir somente hoje e amanhã, às 22h10, a íntegra do especial com imagens de making of e clipes gravado para o DVD.A entrada custará R$ 12. Será a primeira vez que uma gravadora usará o cinema para divulgar um trabalho do gênero. O material não foi registrado em película cinematográfica e, por isso, a projeção será feita com uma técnica de exibição digital em alta definição conhecida como Casablanca Digital System.Em novembro, a Rede Globo, em outra jogada inusitada, exibiu o especial durante uma madrugada de domingo. A campanha foi desenvolvida pela agência de publicidade W/Brasil. Em três meses, Tribalistas vendeu 520 mil cópias de CDs (preço médio R$25) e 50 mil de DVDs (preço médio R$ 45). Os números são festejados pela parceria EMI - Phonomotor, gravadora de Marisa Monte responsável pelo projeto. Os músicos continuarão tocando suas carreiras-solo e não farão shows pelo Brasil com Tribalistas.Embora seja vendido como obra do acaso, o álbum sedimenta uma parceria que há anos vem sendo realizada esporadicamente, seja em discos de Marisa Monte, como Memórias, Crônicas e Declarações de Amor, seja em Paradeiro, de Arnaldo Antunes.Em uma entrevista feita por Nelson Motta enviada às redações, Marisa Monte comenta o instante em que os três resolveram fechar o projeto e como as canções foram reunidas. "Esse repertório estava pronto, a gente tinha música de sobra. Então decidimos e, uma semana ou duas depois, entramos no estúdio e gravamos. Esse disco foi feito com dois dias de ensaio e treze de gravação." A conversa é informal e muitas vezes "cabeça" - cheia de intervenções nem sempre inspiradas às perguntas de Motta.Arnaldo Antunes compara os Tribalistas a encontros históricos da MPB. "A música popular é um território que propicia esses encontros. Temos essa tradição na música popular, de discos que foram feitos em conjunto, onde artistas fizeram uma coisa que não fariam sozinhos, como Gil e Jorge, Tom e Elis, Doces Bárbaros, Chico e Caetano, Refestança (Gil e Rita Lee)... Acho que a gente não vê isso acontecer em nenhuma outra área. Nas artes plásticas não tem, na literatura não tem, no cinema não tem, é algo exclusivo da música popular."Marisa Monte pede a palavra: "É difícil, né? Escrever um livro a quatro mãos, a seis mãos." E Carlinhos Brown vem com sua pérola de raciocínio: "Mas a Bíblia, por exemplo, foi escrita a 27 mãos. São 27 livros dentro de um, né?"Tribalistas. Hoje e amanhã, às 22h10. Sala 9 do Shopping Jardim Sul (Av. Giovanni Gronchi, 5.819, Morumbi - Tel. (11) 3744-8422) Ingresso: R$ 12.

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