Fabio Motta| Estadão
Fabio Motta| Estadão

Os 25 anos do ‘Black Album’, disco com que o Metallica cruzou a fronteira

Com o disco, o grupo fez 300 shows em três anos e o mundo do rock pauleira parecia estar a seus pés

David Villafranca, EFE

12 de agosto de 2016 | 17h09

Eram só umas figuras do metal trash, mas a partir desse trabalho se tornarIam estrelas mundiais do rock. O disco Black Album, que catapultou o Metallica a vendas astronômicas e a um sucesso muito além das fronteiras de seu estilo, completa nesta sexta, 12, seus 25 anos. 

“Foi um alinhamento de um monte de planetas. Eram as músicas certas; o produtor adequado, com nova atitude; um enfoque apropriado no estúdio; e o momento exato”, sintetizou o baterista Lars Ulrich, alma do grupo, ao cantor James Hetfield, no documentário Classic Albums: Metallica - The Black Album (2001). 

Graças a canções lendárias como Nothing Else Matters ou Enter Sandman a banda californiana deixou, com muita perícia, os círculos do metal para arrasar com um disco que, só nos Estados Unidos vendeu mais de 16 milhões de cópias. 

Não se pode dizer que o descomunal êxito os apanhou como novatos, já que, na época, o Metallica tinha dez anos de vida como grupo. 

Com o Anthrax, o Megadeth e o Slayer - algo assim como “os quatro cavaleiros do apocalipse” do trash metal -, o Metallica contribuiu para a explosão do gênero nos anos 1980 com álbuns como Master of Puppets (1986), álbuns considerados ícones desse estilo extremo, agressivo, complexo e muito acelerado. 

Após a morte do baixista Cliff Burton num acidente de ônibus, em 1986, a formação composta por Ulrich, Hetfield e o guitarrista Kirk Hammett escolheu Jason Newsted para editar And Justice for All (1988), antes de chegar ao Black Album, assim conhecido pela capa negra, apesar do título oficial ser Metallica. 

Por novo meses, de outubro de 1990 a junho de 1991, a banda se fechou num estúdio de Los Angeles com o produtor Bob Rock, que havia trabalhado com The Cult e Mötley Crüe e apostava em dar um novo ar ao grupo, ainda que isso lhe tenha custado duras broncas e discussões numa gravação muito complicada. 

Frente ao torvelinho com a velocidade da luz da primeira fase da banda, Black Album, posto à venda em 12 de agosto de 1991, reduzia, dentro do possível, as revoluções do Metallica para canções mais simples e concisas, deixando de lado as estruturas complexas e cheias de voltas para mostrar um som pesado e imediato. 

Essa decisão abriu à banda as portas para um novo público, mas levantou alguns receios dos setores mais fiéis do metal. 

“Quando se vem de canções de dez minutos que viajam entre dez países musicais diferentes e se faz Enter Sandman, não é segredo que as pessoas vão notar e dizer: ‘Que está acontecendo?’”, explicou o baterista Lars Ulrich no livro Louder Than Hell (2014), de Jon Wiederhorn e Katherine Turman. “Mas, no fundo da alma, sei que era essa a direção que queríamos tomar, a única coisa que não havíamos explorado.”

Nothing Else Matters, sem dúvida uma das mais reconhecidas músicas da obra do Metallica, resumiu essas novas intenções em uma balada roqueira que incluía como novidade cuidadosos arranjos orquestrais. 

“Em Nothing Else Matters, a letra fala em estar muito tempo em turnê e sentir saudades da noiva. No fundo, fala da distância, laços, essas coisas”, disse o cantor James Hetfield sobre a canção emblemática que significou para essa geração algo muito parecido com o que representou Stairway to Heaven, de Led Zeppelin, para os roqueiros dos anos 1970. 

A combinação de Nothing Else Matters e temas semelhantes, como The Unforgiven, com faixas muito mais contundentes, como Enter Sandman ou Wherever Who May Roam, acertou no alvo: Black Album mantinha o ar perigoso e obscuro do heavy-metal, mas ao mesmo tempo podia constar sem problemas da coleção de qualquer amante da música em geral. 

A extraordinária acolhida ao disco lançou a banda numa corrida sem barreiras. O Metallica fez 300 shows em três anos e o mundo do rock pauleira parecia estar a seus pés, com a permissão do Guns N’ Roses. 

Ninguém à época podia suspeitar, mas o Metallica e o Black Album eram parte do declínio comercial do heavy-metal. 

Também em 1991 ocorreriam, a partir de Seattle, os imponentes debuts do Pearl Jam (Ten) e, principalmente, do Nirvana (Nevermind), que anunciavam uma mudança de guarda e apaixonantes novidades no panorama do rock. A era do grunge havia começado. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

 

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