Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Orquestras brasileiras celebram o legado de Beethoven em 2020

Temporadas 2020 de sinfônicas e teatros focam nos 250 anos do compositor

João Luiz Sampaio, Especial para O Estado de S. Paulo

01 de janeiro de 2020 | 10h00

Beethoven completa 250 anos apenas em dezembro. Mas até lá a temporada musical brasileira será inundada por dezenas e dezenas de concertos que homenageiam o compositor. Com as principais agendas anunciadas, o público terá acesso, no palco, a praticamente a obra completa do autor – em séries que dizem tanto sobre o músico quanto sobre o momento de algumas das principais instituições musicais do País.

Ao anunciar a programação da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, o diretor artístico Arthur Nestrovski definiu Beethoven como alguém que mudou não apenas nossa noção do que é a música – mas também do que é e pode ser a humanidade. A Filarmônica de Minas Gerais, por sua vez, falou na celebração de “uma mente revolucionária” e de um “espírito inquieto”. No Theatro Municipal de São Paulo, o diretor Hugo Possolo definiu a produção da ópera Fidelio, com sua mensagem a favor da liberdade e contra o autoritarismo, como uma “obrigação”.

É tudo verdade. Assim como o fato de que, na Osesp, o ciclo da primeira à oitava sinfonias será o primeiro projeto de vulto do novo regente titular, Thierry Fischer, aos quais os olhos se voltam a partir de 2020. Na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, o Festival Beethoven marca uma nova maneira de organizar a temporada, com festivais temáticos, e a aposta no retorno à vocação original do espaço, a música de câmara. No Municipal de São Paulo, a produção de Fidelio, que será realizada fora do teatro, é um dos símbolos de uma nova proposta artística idealizada para a casa.

Fidelio também será apresentada em Belo Horizonte pela filarmônica, em versão semiencenada, e ganha produção no Festival Amazonas de Ópera. Também em Minas, a orquestra faz o ciclo dos cinco concertos para piano, com Arnaldo Cohen – as peças também estão na agenda da Osesp, com um time de pianistas estelar, assim como na do Municipal de São Paulo, que ainda não anunciou o solista. Na Sala São Paulo, outro destaque é a integral das 32 sonatas para piano, que também serão tocadas na Sala Cecília Meireles, onde haverá ainda integrais da obra para violoncelo e piano, além das sonatas para violino e uma série com os trios e os últimos quartetos.

Beethoven também terá destaque na agenda da Cultura Artística, com atrações como os pianistas Daniil Trifonov e Khatia Buniatishvili, o violoncelista Gautier Capuçon e o violinista Joshua Bell. São nomes que apontam um ano especial para a música de câmara, gênero que também ganha espaço com o Festival Sesc de Música de Câmara, que em três edições já conquistou espaço no calendário brasileiro pela proposta de repertório e pelos debates que suscita sobre a atividade musical.

Tem mais Beethoven na série de recitais do Theatro São Pedro, por exemplo, ou na programação da Dell’Arte, no Rio de Janeiro. Mas a programação também tem momentos que passam ao largo das comemorações dos 250 anos. Com a Osesp, Thierry Fischer rege uma seleção de peças de Schoenberg, Berg e Webern. O grupo também estreia peças de Tristan Murail, Paulo Costa Lima e João Guilherme Ripper, além de um concerto para viola, violino e orquestra de Brett Dean, com o violista francês Antoine Tamestit e a violinista alemã Isabelle Faust. Marin Alsop retorna, como regente de honra, para reger Matias, o pintor, de Hindemith.

Entre as orquestras, a Sinfônica Municipal de São Paulo abre o ano com a Terceira de Mahler; e a Filarmônica de Minas celebra o centenário do compositor Alberto Nepomuceno, figura chave para a música brasileira, assim como Claudio Santoro, cujas sinfonias começam a ser lançadas este ano pela Filarmônica de Goiás. E, nas séries internacionais, espaço ainda para o canto: o Mozarteum Brasileiro traz ao Brasil a soprano Latonia Moore e o Cultura Artística, o tenor Piotr Beczala.

O ANO COM BEETHOVEN

  • Sinfonias

A Osesp apresenta oito sinfonias (a Nona já foi tocada); o Municipal de São Paulo terá as nove sinfonias, assim como a Filarmônica de Minas Gerais

  • Concertos para piano

A Osesp montou time de pianistas que inclui Paul Lewis e Jean Efflam-Bavouzet para interpretar o ciclo; em Minas, o solista será Arnaldo Cohen; no Teatro Municipal de São Paulo, o nome do pianista ainda não foi divulgado

  • Sonatas para piano

As 32 peças do gênero serão apresentadas na temporada da Osesp, com pianistas brasileiros e internacionais; no Rio de Janeiro, o ciclo também será tocado no Festival Beethoven, da Sala Cecília Meireles.

  • Música de câmara

Na Sala São Paulo e na Sala Cecília Meireles, estão previstas apresentações de obras como quartetos de cordas e sonatas para violoncelo e piano

  • Fidelio

A única ópera de Beethoven será atração no Municipal de São Paulo, na Sala Minas Gerais e no Festival Amazonas de Ópera

O ANO SEM BEETHOVEN

  • Estreias

A Osesp programou a primeira audição de obras de Tristan Murail, Paulo Costa Lima, João Guilherme Ripper e Brett Dean. A programação tem ainda a presença do violista francês Antoine Tamestit como artista residente.

  • Copland e Mahler

A Orquestra Jovem do Estado, com regência de Claudio Cruz, tem como destaques a Sinfonia nº 3 de Copland, a estreia de Repercurso, de Paulo Zuben, e a Sinfonia nº 9 de Gustav Mahler. Mahler também abre o ano do Municipal de São Paulo, com a Sinfonia nº 3 e Roberto Minczuk.

  • Ópera

No Municipal de São Paulo, Aida, de Verdi; Don Giovanni, de Mozart; e a dobradinha inspirada em Plínio Marcos, com Navalha na Carne, de Leonardo Martinelli, e Homens de Papel, de Elodie Boundy, são os destaques da agenda. No Teatro São Pedro, Porgy and Bess, de Gershwin; West Side Story, de Bernstein; Ariadne auf Naxos, de Strauss; e Capuletos e Montéquios, de Bellini. E, em Manaus, no Festival Amazonas de Ópera, destaque para Peter Grimes, de Benjamin Britten.

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