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Orquestras apostam em Gustav Mahler para emocionar o público

Osesp e Sinfônica do Municipal encerram suas temporadas com Gustav Mahler - e reencontram a obra do compositor na abertura dos trabalhos de 2016

João Marcos Coelho - Especial para O Estado de S. Paulo, O Estado de S. Paulo

23 de dezembro de 2015 | 06h00

Gustav Mahler e seu monumental ciclo sinfônico constituem o último Himalaia orquestral e talismã de que os maestros dispõem para compartilhar grandes emoções com o público. Nas duas grandes orquestras paulistas, a preferência soa quase como obsessão. Elas não conseguem desapegar de Mahler nem em anos nos quais não há efemérides. Depois de a Osesp encerrar sua temporada 2015 com três concertos na Sala São Paulo, entre dias 10 e 12 passados, com sua titular regendo a quarta sinfonia, o maestro John Neschling, titular da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, encerrou a atual temporada de concertos sábado e domingo passados com a quinta sinfonia. 

Ambas abrirão suas temporadas de 2016 com... Mahler: na Municipal, Neschling rege a segunda, Ressurreição, em 13 de fevereiro; Marin Alsop rege a primeira, Titã, em 11 de março. 

O concerto de sábado mostrou o acerto de Neschling na reestruturação da OSTM. Apesar de um primeiro movimento burocrático, a execução cresceu no segundo movimento e alcançou um nível bastante elevado no dificílimo scherzo (onde, além da correta concepção do regente, brilharam talentos como o do trompista André Ficarelli). Deu para sentir na ótima interpretação da OSTM, como disse Mahler à amiga Nathalie, que “cada nota é carregada de vida, e tudo gira em torno de uma vertiginosa dança”. 

No célebre Adagietto -- cuja fama alcançou o grande público porque Luchino Visconti o utilizou como leitmotiv do filme Morte em Veneza, baseado no romance de Thomas Mann --, Neschling manteve o pulso exato; nem tão lento a ponto de transformá-lo em sentimentalidade xarope, nem tão rápido e desnaturar seu DNA de declaração de amor do compositor à mulher Alma.

O final incorpora uma melodia da antologia A Trompa Maravilhosa do Menino (base das primeiras três sinfonias) para explodir numa contorcida apoteose. As dificuldades de execução crescem exponencialmente, em comparação com as anteriores. Mahler sente total domínio de sua arte: “Posso fazer qualquer coisa” ao lidar com a criação sinfônica.

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