Orquestra relembra efervescência de Paris

Duas grandes obras da primeira metade do século 20, a ópera-oratório Édipo Rei do russo Igor Stravinski e o balé El Amor Brujo do espanhol Manuel de Falla, são as atrações dos concertos desta semana da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Regidas pelo maestro Roberto Minczuk, as apresentações, hoje e sábado, levarão à Sala São Paulo também o Coro da Osesp e uma seleção de solistas nacionais e internacionais, além do ator Walmor Chagas no papel de narrador de Édipo Rei. "São duas peças compostas aproximadamente no mesmo período, que se combinam por retratarem histórias de relacionamentos proibidos", diz o maestro Minczuk. As obras mantêm estreita relação com a Paris do período entre guerras, para onde afluíram compositores e artistas em geral, gerando um momento de grande efervescência cultural. Finalizada em 1926 e revista pelo próprio compositor em 1948, a ópera-oratório Édipo Rei é fruto da colaboração de Stravinski com o poeta Jean Cocteau, responsável pela adaptação do texto grego de Sófocles. "É uma das principais peças do período neoclássico de Stravinski e uma das mais interessantes óperas do século 20, na qual o compositor valoriza a música antes de tudo." Sinal do privilégio à música é que a ópera é cantada em latim, escolha que Stravinski justificou dizendo que para aquilo que toca o sublime se impõe o uso de uma linguagem especial, e não aquela que é usada diariamente.A meios-soprano Denise de Freitas - que vem mostrando possuir uma bela voz e inteligência para usá-la bem - será a solista de El Amor Brujo, peça encomendada a Manuel de Falla pela bailarina e cantora Pastora Império, sua grande paixão, que pediu a ele e ao poeta Gregorio Martínez Sierra canções e danças para seus espetáculos. A obra teve estréia mundial por volta de 1915, quando o compositor espanhol, após temporada em Paris, voltava a Madri. O balé é baseado na tradição popular da Andaluzia.Este é o segundo programa da temporada da Osesp conduzido por Roberto Minczuk. Após os concertos, ele parte para um período de cinco semanas em Nova York, onde ocupa o posto de regente associado da Filarmônica. Também em palcos europeus ele tem se destacado nos dois últimos anos, dando início a uma promissora carreira internacional: "Na música, como em qualquer área, você tem sempre mais a aprender. Passar por vários países e tocar Copland, por exemplo, com músicos que fizeram estréias mundiais de suas obras, dá experiência e nos faz mais sensíveis a diferenças estilísticas e às possibilidades de interpretação." Serviço - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Regência de Roberto Minczuk. Hoje, às 21h; e sábado, às 16h30. De R$ 16 a R$ 52. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, tel. 3337-5414

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