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Orquestra Jazz Sinfônica encerra sua temporada 2014

Na apresentação deste sábado, 13, o diferencial está nas duas primeiras obras da noite, do compositor russo Nikolai Kapustin

João Marcos Coelho, Especial para O Estado de S. Paulo

12 Dezembro 2014 | 20h15

A Orquestra Jazz Sinfônica encerra neste sábado, 13, às 21 horas, na Sala São Paulo, a temporada 2014 da Série Fronteiras de modo especialíssimo. Lá estão os regulamentares e sempre repetidos clássicos fronteiriços como a sacudida abertura de Candide de Leonard Bernstein e a célebre Rhapsody in Blue, obra-prima de George Gershwin, de 1924, que continua a encantar todos os ouvidos.

O diferencial, entretanto, está nas primeiras duas obras da noite. O Concerto para Sax Alto e Orquestra opus 50 e o Concerto para Orquestra opus 30 ajudam a tornar mais conhecida a obra muito original do compositor russo Nikolai Kapustin. Nascido na Ucrânia há 77 anos, ele só começou a ser ouvido em gravações no Ocidente nos últimos 20 anos. Pianistas clássicos como Marc-André Hamelin e Steven Osborne registraram sua música para piano. A música de câmara também chegou ao CD na primeira década deste século. O mais recente registro é do trio espanhol Arbós, com primeiras gravações mundiais de seus trios para piano e cordas. 

Faltava a música orquestral e concertante. Você pode ouvir amostras dela no YouTube. Mas será outra coisa assisti-las ao vivo. Ainda mais com a regência de Atvars Lakstigala, maestro letão convidado. Nascido em Riga e também trompista, estudou regência com nomes conhecidos como Vassily Sinaisky, dois membros do clã de maestros da família Järvi (o pai, Neeme e um dos filhos mais talentosos, Paavo). 

Será, sem dúvida, uma noite de descobertas. Sua produção até agora inclui 13 sonatas e 24 prelúdios no estilo jazz para piano, além de peças avulsas, expressiva criação camerística e obras para sinfônica e big band. 

Qual seria o segredo da música de Kapustin? O que a torna tão atraente? Para saber, é preciso conhecer sua história. Ele estudou no Conservatório de Moscou com um dos mais famosos professores de piano do século 20, Alexander Goldenweiser. Em 1961, formou um quinteto de jazz, gênero musical então mal visto pelos dirigentes da União Soviética. Mas ele não queria ser um pianista, de concerto ou de jazz. Queria compor. E viu na união das suas duas paixões, o jazz e a música clássica, seu diferencial. 

Numa raríssima entrevista, perguntara-lhe se se considera um músico clássico ou de jazz. “Jamais fui um músico de jazz. Só a partir dos 16 anos estudei jazz. Eu seria mais um virtuose clássico lá pelos 20, 21 anos. Entendi então que o jazz era muito importante para mim. Apaixonei-me por ele desde que o ouvi pela primeira vez. Acalentei a ideia de combinar as duas músicas desde a adolescência.”

Kapustin uniu as duas pontas de sua formação, criando uma maneira muito original de compor sua música: ela respira o perfume do improviso, por causa de sua larga experiência jazzística; e, ao mesmo tempo, é tributária direta da música erudita. Ou seja, é blues, bebop, swing, stride piano e boogie-woogie misturado com as linguagens musicais de nomes como Rachmaninov, Medtner e Scriabin. Mas nada é como parece: improvisado. Tudo está escrito na música de Kapustin. 

Pode-se argumentar que são comuns as partituras reproduzindo no papel os solos e improvisos dos grandes do jazz. Embora sejam muito úteis como objeto de análise e estudos, não passam de transcrições dos improvisos. No caso de Kapustin, não. Ele escreve a partitura como se improvisasse. Só dá para imaginar o encanto desta música ouvindo-a.

No concerto de sábado, o solista de sax alto será Douglas Braga, integrante da Jazz Sinfônica desde 2009. Paulo Henrique Almeida, ex-aluno de Eduardo Monteiro na USP e atual correpetidor no Teatro Municipal de São Paulo, será o pianista em Rhapsody in Blue.

ORQUESTRA JAZZ SINFÔNICA

Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, 16, Campos Elíseos, 3367-9500. Sábado, 13, às 21 h. Ingressos: R$ 20.

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