Orquestra iraquiana toca hoje em Washington

O iraquiano Saad Al-Dujaily está em Washington para mostrar um outro lado de seu país: a música. Ele é flautista da Orquestra Sinfônica Nacional do Iraque, que se apresenta hoje na capital americana. Saad acha importante que os Estados Unidos tenham outras notícias de seu povo, para além dos confrontos entre as tropas americanas de ocupação e forças iraquianas de resistência.Em anos de guerras e sanções, as salas de concerto no Iraque foram saqueadas, explodidas ou queimadas. Hoje, sua orquestra vai experimentar um dos principais e mais modernos templos da arte nos Estados Unidos, o luxuoso John F. Kennedy Center for the Performing Arts. Os iraquianos tocarão ao lado da Orquestra Sinfônica Nacional de Washington. Simbolicamente, todos os músicos serão regidos em conjunto pelos maestros Leonard Slatkin, do grupo americano, e Mohammed Amin Ezzat, do iraquiano.Para a administração Bush, o concerto é uma oportunidade para mostrar aos eleitores americanos um caso vistoso de iraquianos que foram beneficiados pelo fim do regime de Saddam Hussein. Enquanto isso, o país ocupado continua embaraçando Washington, com o número crescente de vítimas americanas e o constante questionamento dos reais motivos da intervenção. Mas sobre isso os músicos que visitam Washington se calam: "Nós nos recusamos a responder questões políticas", avisou o violoncelista Muntha Jamil Hafidh, co-fundador do grupo, antes que lhe perguntassem sobre a suspeita de estarem servindo como peça publicitária.Hafidh preferiu comentar a importância de divular a cultura iraquiana e o talento de seus instrumentistas. Com 63 membros, o grupo atualmente pratica seu repertório em zona fortemente patrulhada por soldados americanos, usando instrumentos e partituras doados.

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