Orquestra Filarmônica das Américas estréia em NY

A Orquestra Filarmônica das Américas estréia, esta semana, no Lincoln Center de Nova York, sob a batuta de sua fundadora, a jovem maestrina e pianista mexicana Alondra de la Parra. A orquestra, que divulga a obra de compositores latino-americanos, vai se apresentar pela primeira vez na próxima quinta-feira, com uma peça do músico venezuelano Paul Desenne, intitulada Concerto para Contrabaixo.A composição será interpretada pelo contrabaixista venezuelano Edicson Ruiz, que com apenas 20 anos de idade é o músico mais jovem a fazer parte da Filarmônica de Berlim, nos 124 anos de história da orquestra."É uma peça em três movimentos, ou três ambientes diferentes, e cada um tem muitas seções", disse à EFE Desenne, que se apresentou pela última vez no Lincoln Center em 2004, na estréia da "Sinfonia Burocrática ed Amazzonica", executada pelo conjunto New Juilliard Ensemble."O atraente de uma obra musical clássica é que ela está em construção até o momento de sua estréia, que é quando se põe a última camada de pintura", disse o músico, cujas composições mesclam tradições orais, músicas ritualísticas e populares do continente e formas escritas da composição ocidental.Para Ruiz, Desenne atribuiu ao contrabaixo o papel principal, mas "não um destaque lírico ou temático"."Não se trata do grande herói. Seu papel é mais lúdico. É expressionismo tropical, para colocar um rótulo. Como no circo, o contrabaixista fará suas acrobacias e saltos mortais. Será como o elefante fazendo balé", explicou.Para De la Parra, de 24 anos e que fez sua estréia como maestrina à frente da Filarmônica de Buenos Aires em 2004, este concerto é a oportunidade perfeita para apresentar em Nova York um exemplo do repertório latino-americano para contrabaixo e orquestra."Poucas vezes escutamos aqui um jovem virtuoso do contrabaixo interpretando com tanto frescor uma obra tão rica em novos sons", disse De la Parra, que fundou sua orquestra como um fórum aberto à experimentação e ao talento jovem.O risco e a inovação são parte da filosofia da orquestra, que para sua estréia em Nova York apresentou uma obra inspirada no encontro entre México e Brasil na Copa das Confederações de 1999, na qual o México ganhou por 4 a 3."É preciso fazer um esforço para criar linguagens e repertórios novos e não repetir sempre os mesmos compositores latino-americanos. Somos países com muita tradição, folclore e criatividade, portanto podemos inventar o que quisermos", disse De la Parra.A orquestra, composta por 60 músicos com uma idade média de 24 anos, foi fundada em Nova York por sua diversidade cultural e por servir como centro de conexão entre os compositores e intérpretes que vivem nos Estados Unidos e na América Latina.Entre seus objetivos está enriquecer o repertório latino-americano, criar um novo público e atrair os jovens com uma proposta que rompa com os estereótipos de que a música clássica é séria, chata e só para entendidos."Tem a ver com a forma como se apresenta um concerto, com o repertório e como se anuncia e se fala disso no palco. É preciso acabar com a solenidade associada à música clássica e a concepção de que é feita para uma elite", afirmou De la Parra.A maestrina disse ainda que a experiência de um concerto de música clássica deve ser prazerosa, não uma tortura, e comprovou que "se os músicos relaxam, o público também relaxa"."Há um medo de não saber o que se escuta ou de aplaudir quando não se deve, e não deveria ser assim. A música é uma arte que deveria ser vivida com paixão e diversão. Não se deve vesti-la de fraque ou apresentá-la com pompa e circunstância", afirmou.Além da composição de Desenne, o repertório que a orquestra apresentará no Lincoln Center inclui as obras Tangazo, de Astor Piazzolla, a introdução musical de West Side Story,/i>, de Leonard Bernstein, e a suíte Redes, de Silvestre Revueltas.

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