Orquestra de Viena abre temporada do Alfa

Uma boa mistura. Assim o maestro eViolinista austríaco Claudius Traunfellner define o som vienenseque ele rege em São Paulo a partir de amanhã, quando aOrquestra de Câmara Filarmônica de Viena faz a primeira das trêsApresentações programadas para abrir a temporada do Teatro Alfa."O som vienense tem seus fundamentos em uma escola específicade instrumentos, é fruto de uma educação específica", diz eleem entrevista. "Há um pouco do estilo russo e da tradiçãoocidental, mas o som não é tão duro ou pesado quanto o americanoou inglês." Fundada em 1985, a orquestra vem ao Brasil acompanhadado pianista Andreas Frölich, que interpretará concertos parapiano de Haydn e Mozart. No mais, o programa das apresentações inclui desdeSinfonias do clássico Luigi Boccherini (1743-1805) à NoiteTransfigurada de Schoenberg, um dos principais nomes daComposição do século 20, passando pelo Adagio de Bruckner ea Serenata para Cordas de Joseph Suk. "Tentamos mostrar, por um lado, peças e autores que sãopresenças constantes na programação de orquestras vienenses, mastambém queremos mostrar nossa intenção de manter nossorepertório bastante amplo, tendo apenas como balizas a qualidadeda obra e a de nossa execução", diz Traunfellner. Se o quase mítico som vienense é fruto, para o regente,de uma boa mistura, o conjunto de ingredientes que compõem aorquestra não fica muito atrás: o grupo reúne músicos daFilarmônica e da Sinfônica de Viena, além de outros saídos daStaatsoper e da Volksoper, as duas principais casas de ópera dacapital austríaca. Traunfellner ressalta que essa atividadedupla, em vez de desgastar o músico, torna-o mais atento àinterpretação. "Um violinista de uma grande orquestra é apenas umaparte de um todo de 16 instrumentistas, por exemplo. Em um grupode câmara, você está ao lado de um número menor de músicos, oque acarreta em maior responsabilidade. Além disso, no dia a diavocê acaba aprendendo a ser mais flexível e cuidadoso",informa. Desde o início, a orquestra é composta, segundo oregente, "por um grupo de amigos". "A idéia de formar o gruposurgiu na Noruega, quando estávamos em turnê do Conservatóriovienense, onde estudávamos", lembra ele, um dos fundadores doconjunto. Os ensaios começariam logo após a volta à Viena e, emseis meses, a orquestra fazia sua primeira apresentação. "Éextremamente importante que as pessoas que se proponham a fazermúsica em conjunto se conheçam, criem afinidades e relaçõesduradouras que os ajudam a crescer juntos em todos ossentidos." Gravações - Ao longo destes quase 20 anos de trabalhos,o grupo já gravou oito discos, com peças de Mozart, Rossini,Mendelssohn, Stamitz, Mahler, Bruckner e Schoenberg, entreoutros autores. Os registros foram lançados por selos como o EPUe o Casablanca Edition Moderne. Apesar disso, Traunfellner nãoignora o fato de que gravar é algo cada vez mais improvável navida das orquestras. "Não se pode falar em crise na indústriafonográfica, o fato é que não existe uma indústria desse tipo naárea de música erudita ou de ópera, na qual só se reedita o quese fez no passado." E, quando se fala no repertório contemporâneo, oproblema é um pouco pior. "Mesmo conseguindo gravar, o difícilseria vender os discos. Não dá para negar que, nos últimos anos,autores contemporâneos perderam audiência. As pessoas acham, àsvezes com razão, que os compositores pegaram uma estrada que osafastou do público." Ele, no entanto, prefere não generalizar -"ainda há coisa muito boa sendo escrita" - e vê a situação comuma dose, um tanto resignada, de otimismo. "Levou anos para a situação ficar assim, e vai levaroutros, talvez mais cinco ou dez, para mudar e voltar aonormal."Serviço - Orquestra de Câmara Filarmônica de Viena. Regência deClaudius Traunfellner. De amanhã a quinta, às 21 horas. DeR$ 45,00 a R$ 130,00. Teatro Alfa. Rua Bento Branco de AndradeFilho, 722, São Paulo, tel. 5693-4000

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