Naty Torre
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Orquestra de Ouro Preto faz show especial para os cinéfilos em São Paulo

Teatra Alfa abriga hoje o concerto de lançamento de um CD rico em sonoridades de grandes filmes e seus temas

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 13h32

Quem abre o portal da Orquestra Ouro Preto, encontra, de cara, uma citação de Antônio Nóbrega. O artista pernambucano diz – “Do meu ponto de vista, essa orquestra faz o que eu acho que todas deveriam fazer: tocar músicas que não estão dentro daquela plataforma habitual. E isso requer novas articulações, novas sonoridades...” Uma amostra do que isso representa poderá ser conferida na noite desta terça-feira, 31, no Teatro Alfa, com o concerto de lançamento do CD Música para Cinema.

Com regência do maestro Rodrigo Toffolo, que também é diretor artístico da orquestra, e participação do produtor musical, arranjador e instrumentista, aqui como pianista, Nelson Ayres, olhe só uma ‘palinha’ do que você poderá ouvir, O Carteiro e Poeta, Manhã de Carnaval, A Noviça Rebelde, Cinema Paradiso, Smile, de Luzes da Ribalta. São filmes que fazem parte do imaginário de todo cinéfilo. O tímido Massimo Troisi tomando lições de poesia – e amor – com o poeta (Philippe Noiret como Pablo Neruda) para conquistar a deslumbrante Maria Grazia Cucinotta; Orfeu que canta, após o amor com a sua Eurídice, a manhã que precede a tragédia em Orfeu do Carnaval (a versão de Marcel Camus) e Orfeu (a de Cacá Diegues); a noviça Julie Andrews que ouve a voz das montanhas e elas, como diz ‘Maria’, a personagem, ‘are alive/estão vivas’; o garoto que descobre o mundo através do cinema e da sua ligação com o projecionista (Philippe Noiret, de novo); o velho Calvero/Charles Chaplin tentando devolver o sorriso à bailarina Claire Bloom, que pensa haver perdido todo o motivo para viver. E os compositores – Luis Bacalov, Luiz Bonfá, Richard Rodgers, Chaplin, Ennio Morricone.

E tem mais – As Time Goes By (de Casablanca); A Melodia Sentimental, de Heitor Villa-Lobos e Dora Vasconcelos. Rodrigo Tóffolo – diz-se Tóffolo – conta que a seleção, de filmes e trilhas, foi feita pensando numa dosagem – internacional, não necessariamente hollywoodiana, e brasileira. Ele poderia estar utilizando as suítes superpopulares de John Williams, tipo Star Wars, mas não. “E não são só as músicas. Embora a gente não projete imagens durante o concerto, elas estão no imaginário do público. Smile, por exemplo, é suave, mas também tem uma expressividade muito grande. Descobri Carlitos por meio de meu pai, Ronaldo, que também é músico e fundador da orquestra, e hoje o revejo com minha filha. Ela tem 5 anos, pertence a uma outra geração, que já está no tablet, mas não interfere em nada o fato de serem filmes muito antigos, em preto e branco. Ela me pede para ver e se encanta com a forma como Carlitos caminha, ou como gira a bengala.”

Nesses 17 anos, e através de parcerias artísticas, como a feita com Alceu Valença, a Orquestra de Ouro Preto já atingiu 12 milhões de visualizações na internet. “Isso é número de banda de rock”, brinca Rodrigo Toffolo. “Mas o importante é isso, é modernizar. O museu modernizou, a biblioteca, mas as orquestras parece que ainda permanecem guardiãs de um passivo cultural que é importante, é valioso, mas a gente pode chegar a um público massivo propondo novas sonoridades (como diz o Antônio Nóbrega), e isso sem deixar de ser uma orquestra exigente.” Por falar em excelência artística, Toffolo admite que, a par de Smile, tão bonito, tem um carinho especial por The Typewriter, de Leroy Anderson, uma peça de 1950 que virou tema de filme de Jerry Lewis – Errado pra Cachorro, de Frank Tashlin, de 1963. “Ficou muito divertida”, define.

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