Orquestra de Nova York chega à Coréia do Norte para concerto

Apresentação será transmitida ao vivo pela tevê e rádio estatais do país, algo inédito na nação comunista

Agência Estado e Associated Press,

25 Fevereiro 2008 | 14h35

A Orquestra Filarmônica de Nova York desembarcou nesta segunda-feira, 25, em Pyongyang para uma visita histórica à Coréia do Norte. Encorajada pelo governo americano, a Filarmônica aceitou um convite feito no ano passado pelo país asiático em meio a um período de aproximação entre Pyongyang e Washington.   O governo norte-coreano realizou preparativos sem precedentes para receber a orquestra, permitindo que uma delegação de quase 300 pessoas, entre músicos, auxiliares e jornalistas, voassem para Pyongyang a bordo de um avião fretado durante 48 horas.   Na terça-feira, 26, o concerto da filarmônica será transmitido ao vivo pela tevê e pela rádio estatais da Coréia do Norte, algo inédito no recluso país comunista.   O diretor musical da orquestra, Lorin Maazel, disse que aceitar o convite foi a melhor decisão a ser tomada. "Sou um músico, não um político. A música é tradicionalmente uma arena, um lugar onde as pessoas fazem contato. Ela é neutra, entretém, é de uma pessoa para outra", comentou Maazel.   "Se a música sensibilizar a platéia, teremos dado nossa pequena contribuição para que nossos povos fiquem um passo mais próximos", prosseguiu ele.   Nesta segunda-feira, Maazel e os integrantes da orquestra assistiram a uma apresentação de dança folclórica sem a conotação ideológica que tais shows costumam ter na Coréia do Norte. Apenas o último número teve um tom político: uma mulher vestida como guerrilheira dançou uma dramatização da resistência coreana à ocupação colonial japonesa anterior à Segunda Guerra Mundial.   Maazel entregou à dançarina um buquê de flores e mais tarde elogiou os dançarinos norte-coreanos com um brinde no Palácio da Cultura do Povo, na capital norte-coreana.   Polêmica   Em coletiva de imprensa realizada no fim de semana em Pequim, na China, o maestro Lorin Maazel, da Filarmônica de Nova York, recusou-se a comentar a polêmica acerca das apresentações que a orquestra fará na Coréia do Norte. O grupo está em turnê pela Ásia, mas a parada no país tem sido criticada pela imprensa americana, para a qual a viagem seria uma legitimação da política do imperador Kim Jong-il.   Maazel limitou-se apenas a afirmar que, com a popularidade cada vez menor no Ocidente, a música clássica pode receber gigantesco impulso na Ásia, cuja população tem demonstrado interesse crescente pela cultura ocidental.

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