Orquestra de Cannes faz único concerto em São Paulo

Contrariando um pouco, não muito, a velha crença de que a música francesa só entra na França pela alfândega, a Orquestra de Cannes - grupo francês de formato clássico, com 40 músicos - faz amanhã, na Sala São Paulo, uma única apresentação na cidade, tendo no repertório, além da abertura da ópera L´Italina in Algeri, de Rossini, e o Concerto para Clarineta e Orquestra, de Mozart, a Sinfonia em Dó Maior, do francês Georges Bizet. Como solista, participa da apresentação o clarinetista Michel Lethiec. Segundo o maestro Philippe Bender, que rege os concertos e é diretor artístico do grupo, é mesmo Bizet o principal destaque do concerto, que faz parte da série Anglo American de concertos. Em primeiro lugar, por ser uma obra de Bizet raramente apresentada. Mas, para ele, não é apenas isso. "Bizet acabou sendo mais conhecido por suas óperas, em especial Carmen, mas sua sinfonia é uma obra-prima, bastante significativa dentro do repertório francês", diz o maestro, por telefone, de Cannes. A Sinfonia em Dó Maior foi escrita quando o compositor contava apenas 17 anos. "É uma obra com grande frescor, uma das melhores coisas que ele escreveu", acrescenta Bender, que lembra, também, que se trata de uma peça fixa no repertório da orquestra. "Toda a obra de Bizet recria, relembra de alguma forma, o ambiente do sul da França, com o qual estamos bastante associados." Orientação - Criada há 25 anos, a Orquestra de Cannes é uma das 16 orquestras, na França, que são mantidas pelo Ministério do Governo (há, também, ajuda dos governos locais, no caso, da Cidade de Cannes). "Nunca sabemos bem se o governo vai continuar a nos dar o dinheiro, as pessoas estão cada vez menos interessadas em cultura, todo ano o Ministério ameaça não distribuir verbas. Mas, no fim das contas, o governo - seja o federal ou o local - acaba contribuindo de modo bastante significativo, o que nos mantem em ação." E também direciona, de certa forma, o papel da orquestra dentro do contexto social da região. Bender ressalta que, além da programação normal de concertos e das turnês (anuais, sendo que, a cada dois anos, os músicos passam pelos Estados Unidos), há uma série de apresentações especiais para crianças, idosos, ou em prisões em pequenas cidades da região. Gravações também estão na rotina do grupo - o último lançamento contém obras de Luciano Berio, Jean-Claude Risset e Leonard Bernstein (selo Adami). Bender, aliás, foi assistente de Bernstein na Filarmônica de Nova York, após ter recebido a medalha de ouro no célebre Concurso Mitropoulos. Com a saída de Bernstein do cargo de diretor, ele então passou a trabalhar com Pierre Boulez. "Foi um momento muito interessante de minha carreira, em especial porque, em muitos sentidos, Boulez era o completo oposto de Bernstein.Orquestra de Cannes - Amanhã, às 21 horas. De R$ 5,00 a R$ 20,00. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, em São Paulo, tel. (11) 3337-5414.

Agencia Estado,

09 de outubro de 2001 | 15h09

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