Jenn Ackerman/The New York Times
Jenn Ackerman/The New York Times

Orquestra americana vai se apresentar em festival cubano

Antes de embarcar para Havana, o maestro finlandês Osmo Vänska, diretor musical da Sinfônica de Minnesota, comanda a Osesp

João Luiz Sampaio, Especial para O Estado de S. Paulo

07 de maio de 2015 | 03h00

A Sinfônica de Minnesota será a primeira orquestra dos Estados Unidos a se apresentar em Cuba desde o início da reaproximação diplomática entre os dois países, anunciado em dezembro do ano passado pelos presidentes Barack Obama e Raúl Castro. O grupo fará dois concertos na próxima semana, nos dias 15 e 16, no Teatro Nacional de Havana, dentro da programação do Festival Cubadisco, e será comandado pelo seu diretor musical Osmo Vänska. O maestro finlandês está em São Paulo esta semana, onde comanda a Osesp em três concertos.

A orquestra de Minnesota desbancou concorrentes fortes na corrida para ser a primeira a visitar Cuba. No começo do ano, por exemplo, o maestro italiano Riccardo Muti afirmou à imprensa que ele e a Sinfônica de Chicago, da qual é diretor, estavam trabalhando para garantir que inaugurariam a corrida de orquestras em direção à ilha. Em 2009, a Filarmônica de Nova York anunciou uma turnê pelo país, mas o projeto foi cancelado depois que patronos da orquestra, que financiariam a viagem, foram proibidos de acompanhar os músicos.

Os dois concertos da Sinfônica de Minnesota serão dedicados a obras de Beethoven: a Sinfonia n.º 3 e a Fantasia Coral, da qual vão participar o Coro Nacional de Cuba e o pianista cubano Frank Fernandéz. “É particularmente especial poder tocar ao lado de artistas locais”, diz Vänska em entrevista ao Estado. “Um dos propósitos da música é unir as pessoas e estimular o diálogo. Vamos compartilhar nossas experiências com eles e receber também o que eles têm a nos oferecer. É a união de artistas dos dois países em torno do prazer de fazer música juntos. Não se pode mudar a história, seja a de um país, seja a de uma pessoa. Mas é possível começar algo novo e a música sugere justamente a possibilidade desse recomeço.”

Recomeço é um termo particularmente importante para a Sinfônica de Minnesota. O grupo voltou a se apresentar recentemente, após dezesseis meses de paralisação relacionada a pagamentos de músicos, dívidas e questões administrativas. Ao longo desse período, Vänska chegou a se demitir, sendo mais tarde reconduzido ao posto de diretor musical. “Vivemos momentos difíceis e aprendemos muito com eles. Após tanto tempo marcado por más notícias, essa viagem é a chance de mostrar ao mundo que estamos vivos e de volta ao trabalho, com a mesma qualidade que fez de nós uma das maiores orquestras do mundo.”

Vänska chegou ao Brasil, na semana passada, quando regeu a Osesp em um programa com duas sinfonias do finlandês Jean Sibelius. Na quinta, 7, sexta e sábado, ele volta a comandar o grupo na Sala São Paulo, agora em interpretações do Abertura Leonora, de Beethoven; do Concerto para Violino de Magnus Lindberg; e da Sinfonia n.º 3 - Escocesa de Mendelssohn.

Mais aproximações

Filarmônica de Nova York

A orquestra viajou a Pyongyang, na Coreia do Norte, em 2008. Foi a primeira visita ao país de um grupo americano desde a Guerra da Coreia. Um ano mais tarde, os planos de ir a Cuba foram frustrados pela decisão do governo americano de proibir que patronos da orquestra viajassem com os músicos.

Orquestra Divã Ocidente-Oriente

O grupo criado por Daniel Barenboim e Edward W. Said reúne músicos israelenses e árabes como forma de promover o diálogo. E, em 2005, chamou atenção do mundo ao se apresentar em um Palácio de Ramallah, na Palestina.

OSESP

Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, 16, Luz, 3367-9500.

Quinta e sexta, às 21 h; sáb., às 16h30. R$ 45/R$ 178

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