Orishas chegam ao segundo disco

Chegou às lojas o segundo disco do mais popular grupo cubano derap além das fronteiras da ilha, os Orishas.Emigrante (Universal Music) é o nome do novo trabalho, 15faixas gravadas em Toulouse, ao sul de Paris. E que traz mais domesmo: vocalização de hip hop, percussão baseada na velha-guardada música cubana, um ou outro efeito eletrônico típico do rapfrancês e muita vibração.Para falar sobre o lançamento, a reportagem conversou na manhãde quarta-feira com uma das três cabeças do Orishas, o rapperRuzzo, que vive na Itália. Os outros são Roldan (que vive emParis) e Yotuel (que vive em Madri) "Ganhamos", disse Ruzzo,entusiasticamente. "Como eu havia prognosticado, o Brasilganhou da Turquia e vai ganhar a Copa", afirmou.Agência Estado - É muito difícil fazer um segundo disco? Ruzzo - É muita pressão. O segundo disco é o que coloca, quedefine se sua carreira continua ou não. E tem a nossaauto-exigência: nós não queríamos repetir nada, não queríamosfazer um segundo A Lo Cubano. Era o desafio de manter aessência e mudar, avançar musicalmente.Vocês agora são um trio e não mais um quarteto. O que mudana música com essa nova formação?Não mudou muito. Flaco saiu porque decidiu sair. Nósagora fazemos a parte que ele fazia e tudo bem, o esquemapermanece, seguimos com o mesmo formato - vozes, guitarra,scratch, percussão e um DJ. Tentamos fazer o balanço maisequilibrado possível entre a música da velha-guarda cubana e ohip hop moderno, para que não se perca de vista nossa proposta.Agora parece que vocês fazem uma conexão mais próxima com ohip hop francês.Trabalhamos com o produtor Niko, que conheço desde muito, assim como o Passi, temos uma amizade e colaborações desde1997. Mas trabalhamos também com o colombiano Yuri Buenaventura,de forma que é uma tentativa de incorporar novos elementos. Esteálbum fala de uma experiência de vida, de como nós fomosestrangeiros tentando nos adaptar a um país novo, dos obstáculosque enfrentamos nessa experiência.Vocês sempre dizem que seu hip hop é apolítico, mas falamdos problemas dos imigrantes. Não é um tema político hoje?Quando falo que abominamos política, falo dessa políticade agressão, intervencionista, de manipulação, de invasão dooutro. A imigração é um fenômeno social que sempre existiu, nãoé algo que começou hoje. Os romanos, os turcos, os gregos, todosos povos tiveram fluxo de imigrações. O fenômeno Le Pen, naFrança, evidenciou um problema - por sorte, eu não creio queesse personagem tenha sucesso em sua caminhada racista.Você não falou da saída clandestina de cidadãos de Cuba, osbalseros, que atravessam o mar para chegar a Miami...Nós somos contra essa emigração. É um perigo, põe emperigo a vida de crianças, de mães, de pais. Todos saem em buscade um futuro incerto, sem saber o que esperar de um paíscapitalista, sem saber como será a recepção. É um problemaevidente - o risco, a via marítima é um meio precário eperigoso.Vocês sempre falam do rap mundial. O que acha do fenômenoEminem?Um produto muito bem trabalhado, com um produtor comoDr. Dre e muito dinheiro por trás. Essa gente domina e conhece omercado e, com base em algum tipo de pesquisa, criou essepersonagem. Um personagem de cor branca para fazer frente a essemovimento afro-americano, para dar uma nova cara ao hip hop. Amensagem não muda muito, mas eu acho que há outros muito maisinteressantes trabalhando nesse universo do rap americano. Achoque as grandes produtoras têm muita responsabilidade noesvaziamento do discurso do rap. No início, em Cuba, nósouvíamos Public Enemy, gente desse calibre. Muitos hoje mudaramsua vertente, o rap virou dinheiro, business.Então está tudo dominado?Não se pode temer isso nem podemos acabar com isso. Essaé a realidade. O que posso dizer é que nós não entramos nessepelotão. Se para fazer rap você tem de dizer que mulher éprostituta, é vaca, tem de incentivar a violência e achar que amiséria é normal, que é natural o homem tirar dos que nada têm,se fazer rap é isso, então nós não fazemos rap.

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