Orfeu marca os 70 anos do Coral Paulistano

O mito de Orfeu anda em alta em São Paulo. A história do jovem que parte pelas profundezas da terra em busca de sua amante Eurídice, na versão operística do italiano Claudio Monteverdi, foi encenada recentemente pela Banda Sinfônica do Estado e ganhou há cerca de um mês produção no Teatro São Pedro. Pois a partir de amanhã será a vez de o Municipal oferecer sua visão daquela que é tida como a primeira ópera da história. Mas não se trata apenas de mais um Orfeu: esta produção comemora os 70 anos do Coral Paulistano, um dos corpos estáveis do teatro, idealizado e fundado por Mário de Andrade. O Paulistano é um dos patrimônios culturais da cidade. Atualmente, é dirigido pela maestrina Mara Campos, que nos últimos anos ampliou a participação do grupo não apenas dentro da programação do Municipal mas também em séries paralelas espalhadas pela cidade. É ela quem rege o espetáculo, que tem ainda a participação da Orquestra Sinfônica Municipal e dos solistas Luciano Botelho (Orfeu), Narilane Camacho (Eurídice), Laura Aimberê (Mensageira), Sávio Sperandio (Caronte), Márcia Degani (Ninfa) e Carlos Eduardo Marcos (Apolo), entre outros. A direção cênica é de João Malatian. Ele conta que seu processo de criação da montagem começou na busca pelas fontes originais, mais antigas do mito, posto no papel pelos poetas Virgílio e Ovídio. "Ao comparar os textos da antiguidade com o libreto da ópera, me deparei com um final totalmente diferente. Na narrativa mitológica, Orfeu, após ter olhado para trás, perde Eurídice definitivamente e vagueia pelos campos da Trácia até ser encontrado por um grupo de Bacantes que, rejeitadas, o trucidam atirando sua cabeça e sua lira no Rio Ebro. No libreto, pela necessidade de um ´final feliz´, Orfeu é resgatado por Apolo. Decidi então reintroduzir, sem alterar o texto original, as Bacantes, interpretadas por bailarinas que, junto de algumas Ninfas, Sátiros e de Cupido, transitam pela história, nos remetendo um pouco ao final original", explica o diretor, afirmando que seu principal objetivo foi "tornar o drama compreensível e atraente ao público contemporâneo". "Não se trata de modernizar no sentido de trazer para nossa realidade, o que faria com que a fábula perdesse sua principal característica. Mas de tratar a obra de maneira que as pessoas percebam quanto esse mito ainda vive em nós e entre nós, em nosso inconsciente, fazendo parte da nossa psique." Por isso, explica Malatian, a decisão de ambientar a trama na passagem do século 19 para o século 20. "Com isso, toda a primeira parte, formada pelo prólogo, primeiro e segundo atos se passa em um casamento no qual todo o elenco está presente, a Música por exemplo é a Mãe do Noivo, Apolo o Pai, os Pastores são Padrinhos e assim por diante. Na segunda parte, no inferno, mais fantasioso e barroco, há uma metamorfose. Orfeu, mergulhando em seu inferno interior, encontra rostos conhecidos em personagens que determinarão seu destino." Orfeu. Teatro Municipal (1.580 lug.). Pça. Ramos de Azevedo, s/n.º, 3222-8698, metrô Anhangabaú. Amanhã). Até 7/5

Agencia Estado,

28 de abril de 2006 | 11h51

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