Ópera une tradições judaicas, cristãs e africanas

Com a intenção de fazer uma ópera originalmente brasileira em tempos de globalização, o compositor Altay Veloso pesquisou durante mais de 15 anos em Jerusalém, na África e na Bahia, a história de Alabê de Jerusalém. O resultado foi a ópera Alabê de Jerusalém, que tem sua base em raízes africanas, judaicas e cristãs. No entanto, fazer ópera no Brasil está longe de ser tarefa fácil, e Veloso está em busca de patrocínio para ver concretizado o resultado de um trabalho que, segundo ele, se mistura com a sua história de vida. A história de Alabê de Jerusalém tem início na cidade de Ifé, em Daomé, África. Lá, ao mesmo tempo que, em Belém, nascia uma criança que iria mudar a história da humanidade: um menino, filho de sacerdotes, que receberia o título de Alabê, designação dada ao guardião dos instrumentos musicais da tribo.Aos 11 anos, Alabê, cansado das travessuras características de um menino que tem alegria no coração, senta embaixo de uma árvore e passa a admirar o movimento de migração dos animais. Observa a cena e, em sua alma, algo se manifesta, mesmo que ele não saiba exatamente do que se trata.No dia em que completa 12 anos, sai de casa e passa a acompanhar os animais em seu caminho. Atravessa o Sudão e, oito anos mais tarde, chega à nascente do Rio Nilo, onde entra em contato com a diversidade cultural dos povos locais. Pouco tempo depois, segue em sua jornada até que, ao chegar no Mediterrâneo, encontra um centurião ferido no peito por uma adaga. Faz uso de seus conhecimentos de ervas medicinais e cuida do guerreiro durante dois dias, até que ele morre, sendo enterrado por Alabê em uma cerimônia em que invoca a Zambi que receba o corpo do guerreiro. Agradecido, o centurião o leva para Roma, onde ele começa a trabalhar como curandeiro das tropas. É nesta qualidade que, aos 29 anos, passa a trabalhar na legião de Pôncio Pilatos. É então que, em Cesaréia, conhece Judith. Ela narra os milagres de Jesus, que, para ele, surgia como o Orixá encarnado. Certo dia, às vésperas de completar 31 anos, Alabê fica sabendo que Jesus passaria por Cesaréia e, logo cedo, ele e Judith vão para a estrada esperá-lo. A espera não é em vão. Caído, Alabê vê Jesus tocar o lenço branco que levava envolto no pescoço. Desde então, durante três anos, ele e Judith acompanham Jesus, acompanhando seus atos, seus milagres, sua morte.Reclusão - Dois anos se passam e ele e Judith mudam-se para a Palestina, onde ele a encontra, certo dia, morta sobre a cama. A partir deste dia opta por uma vida de reclusão, mudando-se para o deserto de Judá. E é lá que, após muitos anos de meditação, recebe a visita de cada Orixá de seu Panteão. E morre. Com essa história, Veloso tem como intenção mergulhar na humanidade de alguns personagens bíblicos, revelando o lado mais íntimo de pessoas como Maria, Jesus, Judas e Madalena. Veloso ressalta, no entanto, que Alabê é, na verdade, uma ópera popular, com diálogos falados e acessíveis ao público em geral. O acompanhamento musical pode ser feito tanto por grande orquestra como, também, por grupo de câmara acrescido de instrumentos de percussão como pandeiros árabes, atabaques, congas, caxixis, kalimbas, agogôs.O projeto, reconhecido pela Unesco por promover a construção de uma cultura de paz e não-violência, está orçado em R$ 862.104,40. Os interessados podem entrar em contato com Anita Santoro pelos telefones (0- -21) 610-4057 ou (0- -21) 3021-3720).

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.