Ópera ganha novo eixo de produção

O ano em que é lembrado o centenário da morte do compositor italiano Giuseppe Verdi marca a criação de um novo eixo de produção de óperas no Brasil. Trata-se de um trabalho conjunto entre a São Paulo ImagemData, as secretarias de cultura de São Paulo, Pará e Distrito Federal e a iniciativa privada, que possibilitará a produção de três óperas: Macbeth, Un Ballo in Maschera e La Traviata, todas de Verdi.Cada Estado irá produzir uma ópera que, depois, segue para as outras capitais, culminando, em agosto, com o Festival Verdi, no Teatro da Paz, em Belém, que está passando por um processo de restauração de R$ 4 milhões, apoiado pelo governo do Estado do Pará. "A intenção é montar um calendário regular de óperas, envolvendo o poder público e a iniciativa privada, dando também oportunidade para os cantores que desenvolvem carreira no Brasil", explica Cléber Papa, diretor da São Paulo ImagemData.Com uma concepção cênica que procura resgatar o ponto de vista feminino da história, La Traviata estréia no Teatro São Pedro, em São Paulo, no fim de março. O elenco ainda não está definido, mas a soprano Gabriella Pace deve interpretar o papel da cortesã Violetta Valry.Em Brasília, no mês de junho, a soprano brasileira Eliane Coelho lidera o elenco de Un Ballo in Maschera, ressaltando a sugestão de um destino traçado, com regência de Sílvio Barbato, diretor artístico do Teatro Nacional de Brasília e regente titular do Teatro Municipal do Rio. Barbato, aliás, ao lado do maestro inglês Patrick Shelley e do pesquisador paraense Gilberto Chaves, é um dos arquitetos do projeto.Macbeth estréia em 17 de agosto, na ópera de Dorseth sob regência de Shelley. Os figurinos e os cenários serão desenhados por Mark Clark e David Higgings, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e produzidos no Brasil, seguindo, depois, para a Inglaterra. A norte-americana Gail Gilmore já está confirmada no papel de Lady Macbeth.As óperas reúnem-se, então, em Belém, na reinauguração do Teatro da Paz, no Festival Verdi. Já foi confirmada, também, a segunda edição do Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão, que este ano teve como vencedores a soprano ítalo-brasileira Gabriella Pace e o tenor mineiro Eduardo Itaborahy.Os participantes da primeira edição do concurso, além de aparecer nas montagens das óperas, participarão da gravação, em abril e maio, de um disco com árias e duetos de Carlos Gomes e Verdi, com lançamento previsto para agosto. "Não irão atuar nas montagens apenas os cantores que aparecerem no concurso, mas também jovens vozes brasileiras em ação no Brasil, uma vez que buscamos criar espaço para que os novatos possam construir uma carreira", indica Papa.2002 - Para o ano que vem, já estão definidos três títulos dos quatro a serem produzidos também em parceria entre os estados. A primeira ópera será Attila, de Verdi. Em seguida, Turandot, de Giacomo Puccini, e Parsifal, de Richard Wagner, esta com estréia prevista para setembro, no Teatro Nacional de Brasília. Haverá, também, uma outra ópera de Verdi, ainda não definida.Para Cléber Papa, todas as produções são pautadas pela preocupação em fazer montagens nas quais a música e a concepção cência apareçam integradas, fruto do trabalho de pessoas dispostas a promover uma discussão intelectual voltada para a produção de ópera. "É essa a principal dificuldade em montar este eixo: organizar uma programação regular, sólida e conceitualmente definida", diz.

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