Ópera faz homenagem ao centenário de Portinari

Estréia nesta quinta-feira para convidados no Sesc Ipiranga, dentro da série Pocket Opera, o espetáculo Porti-Nari: A Ópera, homenagem ao centenário do artista. A idéia do espetáculo surgiu da possibilidade de aliar a série Pocket Opera - surgida em 1998 com o intuito de criar espetáculos que abordem a ópera sempre a partir de novas e diferenciadas linguagens - a uma efeméride bastante importante da vida cultural do País. E como levar para a ópera, um espetáculo cênico-musical, o universo artístico de Cândido Portinari? "Essa foi e ainda é a grande pergunta", diz o diretor Luiz Carlos Vasconcellos. E, por isso, ao lado de uma pesquisa que levou a equipe de produção a locais por onde passou Portinari, a trajetória do espetáculo teve início com a realização de um seminário de dramaturgia, do qual participaram autores como Bosco Brasil, Fernando Bonassi e Samir Yazbek. No seminário é que foram dados os primeiros passos na busca pela fórmula do espetáculo. "Nosso trabalho foi pautado em dois elementos - sua biografia e sua produção artística - que deveriam ser retratadas não de modo convencional, mas a partir de experiências sonoras", diz Vasconcelos. Porti-Nari: A Ópera começa com o pintor em seus últimos momentos de vida, preso à cama devido à intoxicação causada pelo chumbo das tintas com que trabalhava. No hospital, ele recebe seu tio Davi. Juntos, passam a lembrar de diversos momentos de Portinari e sua família. Estão representados, assim, a chegada de seus pais, imigrantes vindos da Itália, ao interior de São Paulo; a infância em Brodósqui; a saída em direção a uma grande cidade que permitiria ao talentoso menino desenvolver seu trabalho. E é entre esse universo de lembranças e esquecimentos que a obra do pintor, seus quadros, reaparecem. Música - - Não é a primeira vez que uma efeméride transforma-se em tema da série Pocket Opera. No ano passado, o espetáculo girou em torno dos 80 anos da Semana de Arte Moderna. Em Porti-Nari: A Ópera, o trabalho de Laércio de Freitas, responsável pela música, foi recriar um universo sonoro do Brasil não urbano retratado por Portinari. "Tentamos resgatar os instrumentos e os conjuntos de um Brasil caipira e interiorano, ainda às voltas com a tradição e a ingenuidade", diz ele.Porti-Nari: A Ópera - Teatro do Sesc Ipiranga: Rua Bom Pastor, 822, tel. 3340-2000. De quinta a sábado, às 21h; domingo, às 20h. R$ 18,00. Até 2/11. Estréia hoje às 21h para convidados.

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