David Lefranc/Paris Tourist Office
David Lefranc/Paris Tourist Office

Ópera de Paris ficará fechada até o fim do ano para reforma

Vivendo uma grave crise financeira, agravada pelas recentes greves e pelo coronavírus, ela só deve reabrir a Ópera da Bastilha em novembro e a Garnier em janeiro

María D. Valderrama, EFE

15 de junho de 2020 | 10h42

A péssima situação econômica da Ópera de Paris se complicou depois desses três meses que ela ficou fechada por causa da crise do coronavírus, o que levou à antecipação da saída de seu diretor e da reforma de seus prédios, que permanecerão fechados até meados de novembro deste ano e janeiro de 2021.

"O Conselho de Administração da Ópera Nacional de Paris decidiu adiantar para o verão de 2020 a reforma da Ópera da Bastilha e Ópera Garnier, inicialmente previstas para 2021. As programações lírica e de dança vão voltar no final de novembro, na Bastilha, e em janeiro no Garnier", disse o Ministério da Cultura em comunicado.

Fontes da instituição contaram à EFE que os responsáveis discutem agora com a equipe interna um programa alternativo. A orquestra, por exemplo, poderia se apresentar em salas pequenas que não passarão por esta reforma.

A Ópera parisiense passa por uma situação calamitosa depois de ter vivido, entre dezembro e o início de fevereiro as greves mais duras de sua história, que levaram ao cancelamento de 83 espectáculos, entre óperas e balés, com perdas de 14,5 milhões de euros. Entre o dia 9 de março e o próximo dia 15 de julho, quando se esperava sua reabertura, o coronavírus forçou o cancelamento de outras 156 apresentações, o equivalente a uma bilheteria de 31 milhões de euros. Diante dessa situação, o diretor Stéphane Lissner, no cargo desde 2014, decidiu adiantar sua saída, prevista para 2021, e abandonar o barco, com um déficit recorde e a necessidade urgente de reformas na instituição. 

"No final de 2020, é provável que a Ópera esteja sem fundos para continuar. A urgência da situação econômica vai requerer decisões drásticas e imediatas, que terão um importante impacto social", informou Lissner ao Le Monde - ele disse ainda que a dívida é da ordem de 40 milhões de euros. "Eu decidi sair para que só haja um chefe no comando", assinalou.

O Ministério da Cultura confirmou a nomeção de seu sucessor, o alemão Alexander Neef, de 46 anos, que será acompanhado pelo diretor adjunto da Ópera, Martin Adjari. Eles vão dedicar esses meses a elaborar um informe sobre a situação da instituição e a preparar as diretrizes para manter sua excelência. A missão será, também, "revisar o modelo econômico, social e organizacional para garantir as condições de um funcionamento equilibrado", e tratar de "consolidar" sua posição "no coração da política cultural do Estado".

Segundo antecipou Lissner, o prédio da Bastilha reabrirá no dia 15 de novembro com três espetáculos: o balé La Bayadera, de Rudolf Nureyev, e as óperas La Traviata, de Giuseppe Verdi, dirigida por Simone Stone e James Gaffigan, e Carmen, de Georges Bizet, com direção de Calixto Bieito. Porém, o que seria o grande acontecimento dos últimos anos, o grande espetáculo que Bieito havia preparado para a Ópera em 2020, a tetralogia de Richard Wagner, continua no ar. "A menos que meu sucessor decisd seguir com o projeto em alguns anos, é evidente que não veremos A Tetratologia, de Calixto Bieito, na Ópera de Paris.

 

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