BRYAN DERBALLA | NYT
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Omi, dono do sucesso ‘Cheerleader’, quer mostrar que há vida além do hit

Jamaicano com o maior sucesso do verão norte-americano, lança álbum ‘Me 4 You’ e acredita que o sucesso chegou na hora certa

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2015 | 04h00

Segundo dia no Brasil, o segundo repleto de entrevistas para programas de televisão, rádio e jornais. Omar Samuel Pasley, jamaicano conhecido pelo apelido de Omi, se mostra cansado, de fala lenta e um sorriso que já demora para aparecer. “Ninguém me contou sobre isso”, brinca ele, sobre a maratona de entrevistas e shows na qual ele se meteu desde que a canção Cheerleader, originalmente lançada em 2008, encontrou sucesso mundial e foi escolhida como o “hit do verão” do Hemisfério Norte. “Mas eu imaginava isso. Sei que trabalhar com música é muito difícil. Não basta apenas compor uma canção e gravá-la. Ser um artista é outra coisa. Estar num selo grande também. É preciso viajar ao redor do mundo mesmo. Alguns dias serão mais difíceis que os outros, mas tudo bem”, completa.

O fato é que o rapaz nascido em Clarendon, na Jamaica, depois de sete anos de carreira profissional, experimentou a fama repentina com a primeira música lançada oficialmente. Compôs Cheerleader, um reggae pop, romântico, em 2008. E só lançou a faixa quatro anos depois. Atingiu algum sucesso comercial no seu país e viu sua fama respingar no Havaí. A fama nunca passou de algo local até o ano passado, quando Patrick Moxey, presidente do selo especializado em dance music chamado Ultra Music, se interessar pela faixa. Viu potencial pop naquele reggae meloso, chamou o DJ alemão Felix Jaehn para dar mais identidade “de pista”, e lançou-a para o mundo.

A gravadora major Sony Music é dona de parte da Ultra Music e abraçou a voz de Omi e suas canções leves. Cheerleader chegou ao topo da parada Hot 100, realizada pela Billboard. Omi é o primeiro jamaicano a ocupar essa posição desde Sean Paul e seu Temperature, de 2006. O sucesso no mercado norte-americano se refletiu em outros pontos do globo. A canção, por exemplo, ficou em primeiro lugar em 25 países, de Austrália a Suíça, passando por Áustria, Dinamarca, França, Eslovênia e Alemanha.

Omi faz das palavras de Clifton Dillon, empresário dele também conhecido como The Specialist (“o especialista”, em português), as dele. “Como diz meu empresário, ‘timing’ é tudo”, analisa ele. “A melhor parte de Cheeleader é que foi a primeira música que lancei na vida. Então, pense só, foi um ótimo começo. Posso dizer que estou entre o grupo de músicos abençoados que conseguiram fazer sucesso logo na primeira música. Isso me deixa numa posição muito confortável.”

O músico jamaicano de 29 anos lançou, neste mês, o álbum Me 4 You, o disco de estreia que só apareceu agora “também por questão de timing”, como explica o músico. “Se tivéssemos lançado um disco quando Cheerleader fez o primeiro sucesso...”, Omi interrompe a própria frase com uma careta. “Você entende onde quero chegar?”

O fato é que, inegavelmente, Cheerleader se tornou um sucesso mundial somente em 2015 e o disco com outras canções se fez, então, indispensável. “Conseguimos o público com Cheerleader. E isso é ótimo. Agora precisávamos de um disco para conseguir manter esse público conosco”, explica Omi. As canções, 14 no total, não se prendem ao reggae, embora o gênero, ao lado de ritmos latinos, esteja presente até nas canções mais dance. “Quero mostrar que existe vida após Cheeleader”, explica ele. “Quero mostrar a todos que existe muito mais por vir.”

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