Alexandre Meneghini/ Reuters
Alexandre Meneghini/ Reuters

Omara Portuondo anuncia sua última grande turnê sem despedidas definitivas

A intérprete, um dos expoentes máximos vivo da música tradicional da ilha, vai viajar para mais de 15 países acompanhada por um quarteto

Redação, EFE

03 de abril de 2019 | 14h01

HAVANA - Omara Portuondo vai embarcar em abril na que será sua última grande turnê mundial que no entanto não representará a despedida definitiva dos cenários internacionais para a lenda viva da música cubana, que completa 89 anos em novembro próximo.

"Ninguém falou em aposentadoria, eu nasci para fazer isso e continuarei nos palcos enquanto puder", disse Portuondo (nascida em 1930 em Havana) em uma entrevista à imprensa. A turnê Último Beijo da diva incansável do Buena Vista Social Club começará com nove concertos nos EUA e continua em maio por vários países da Europa e Ásia, incluindo Espanha, França, Reino Unido, Holanda, Hungria, Rússia, Coreia do Sul e Cingapura.

"Essa turnê não é o último adeus ao palco internacional, mas será a última vez que Omara Portuondo vai se apresentar em países distantes como Cingapura ou Turquia", explicou o representante e filho da cantora, Ariel Jimenez. Jiménez insistiu que sua mãe "tem mais energia do que muitos jovens" e disse que, a partir de outubro, a turnê chegará a países da América Latina, como México e Argentina.

A intérprete, um dos expoentes máximos vivo da música tradicional da ilha, vai viajar para mais de 15 países acompanhada por um quarteto de nomes bem conhecidos na cena do jazz em Cuba: o pianista Roberto Fonseca, baixista Yandy Martinez, baterista Ruly Herrera e Andrés Coayo na percussão.

Fonseca já dividiu o palco em numerosas ocasiões com Portuondo, que atuou como convidada em vários espetáculos do instrumentista e compositor, conhecido por destacar as tradições afro-cubanos em sua música.

Durante o tour, Portuondo vai apresentar um repertório de clássicos que "em sua voz nunca tem o mesmo som duas vezes", disse Fonseca, para o qual não "é um peso dar uma parada em sua carreira" quase um ano para acompanhar a chamada Novia del Filin (do inglês feeling, sentimento), um gênero de música cubana nascido na década de 1940.

"Se há um intérprete que pode representar a cultura cubana e colocar o nome de Cuba no alto, é Omara. Ela passou por todos os estilos musicais e mantém a sua raiz cubana. Somos abençoados que ela continue cantando", disse ele.

Em dezembro próximo a artista octogenária fará uma parada em sua Havana natal para apresentar um grande concerto no qual cantará várias músicas de um álbum no qual está trabalhando com Fonseca.

No novo álbum, o pianista disse que as gravações são feitas "em função de Omara" e "apenas para ela desfrutar" de "versões atualizadas" de canções antológicas como a famosa Guantanamera e temas de Silvio Rodríguez.

Incansável em seus quase 90 anos, Omara Portuondo também trabalha com a tradicional orquestra Failde num fonograma dedicada ao 100º aniversário do lendário Benny Moré.

 

A discografia de Portuondo, Prêmio Nacional de Música de 2006, soma quase trinta álbuns desde 1958, ano em que estreou seu primeiro trabalho de estúdio, o hoje mítico hoje Magia Negra.

Em 2009 ela ganhou um Grammy Latino na categoria de música tropical para o seu álbum "Gracias", recebeu o prêmio do Gran Teatro de La Habana de 2011 das mãos da bailarina Alicia Alonso e em 2018 foi premiada com o título de Doutora Honoris Causa em Arte por sua contribuição "transcendental" à cultura cubana.

Seu álbum "Omara sempre" foi indicado para um Grammy Latino em 2018 e em janeiro passado ela acompanhou a cantora Joss Stone na primeira apresentação da britânica na ilha dentro do programa do festival Jazz Plaza, em Havana. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

 

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