Olivia estréia seu "pop moderno"

Pianista de formação clássica e vocalista de rock and roll e blues com influência de grandes divas do jazz, Olivia lança nesta semana seu álbum de estréia. Neste disco, que leva o seu nome, ela propõe uma mistura de bossa nova e gêneros estrangeiros como trip hop, blues e rock and roll. Algo que prefere não rotular. "Trata-se de um disco de pop moderno", afirma. Olivia é mais uma adepta da técnica "sampleia um violãozinho, cola uma batucada, mistura uma batida eletrônica", que se tornou sinônimo de modernidade entre artistas e críticos da música popular brasileira. Para situar, o som de Olivia, parece um inusitado encontro entre os britânicos do Portishead e os mineiros do Pato Fu.Há mais de 15 anos na estrada, sua formação musical, de influências variadas, está refletida neste disco de estréia. De Bach a Frank Zappa, passando por Led Zeppelin, Deep Purple e música árabe tradicional, não dispensa nada para ouvir e compor. Cantou em corais, estudou dança do ventre, formou dois quartetos de blues, um trio de MPB e participou de um grupo de estudos de música experimental, pelo qual tomou contato com o dodecafonismo, o serialismo e o atonalismo. Todos, elementos típicos da música moderna do século 20. Aos 29 anos, paulistana de sorrisos largos, lembrando fisicamente Alanis Morrissete, ela conta que começou a compor para este álbum, ao lado do marido e produtor do disco André Namur, para se livrar de uma depressão que a impediu de criar por mais de dois anos. "Eu precisava fazer este álbum e quando sentei com o André para compor, já estávamos neste trabalho", conta. No início, ela fazia as letras e as harmonias no piano, e Namur entrava com a guitarra e o baixo. Depois, gravavam as canções no computador e anexavam a elas as batidas eletrônicas. "Eu não conhecia trip hop. Quando as primeiras pessoas ouviram o que estávamos fazendo e disseram: ´pô, mas isso parece trip hop´, é que eu busquei conhecer Morcheeba e Portishead", diz Olivia.Mesmo dona de um grande alcance vocal, adotou no disco um estilo econômico de cantar. "Por ser um álbum repleto de influências, com músicas muito diferentes entre si, não pude e não quis explorar o vocal de formas diferentes", explica. Olivia enxerga a voz como um instrumento, não dispensa ruídos e barulhos para compor seu estilo de canto. As letras do disco refletem essa concepção da compositora. Há trechos em inglês, em francês e em português.Não há samplers de outros artistas no disco. Foi inteiramente gravado por ela e pelos músicos de sua banda. "Isso deu ao disco uma caráter extremamente autoral", conta. É impossível deixar de destacar o caráter lúdico de Olivia. "Ele é lounge, no sentido que é para a pessoa ouvir e se sentir à vontade, curtir mesmo", explica a cantora. Para quem quiser conferir o som de Olívia ao vivo, dia 30 de agosto ela faz, no Blen Blen Brasil, o show de lançamento do álbum. Nele, uma supresa: irá cantar uma versão de Summertime, standard do jazz composto por Gershwin, com batidas de jungle.Olivia, de Olivia - gravadora Trama - Preço médio: R$ 20.

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