OER tem programação ambiciosa

A Orquestra Experimental deRepertório participará este ano de três montagens de ópera, alémde ter uma programação de concertos sinfônicos que passa a fazerparte da temporada de assinaturas do Municipal de São Paulo - noano passado, entraram no pacote apenas as récitas de João eMaria. Sob direção do maestro Jamil Maluf, o grupo montou umaagenda que tem como principal característica a diversidade deestilos e gêneros."Foi um processo consciente. Quis evitar, e encontreirespaldo do maestro Levin, uma programação monocórdica. E achoque, de uma forma geral, esta é uma das principais marcas daprogramação do teatro como um todo, o que me deixa bastanteanimado", diz Maluf.A primeira ópera a ser montada pela OER será O Chapéude Palha de Florença, uma das dez escritas pelo italiano NinoRotta, conhecido especialmente por sua colaboração com ocineasta e seu conterrâneo Federico Fellini. "Foi uma parceriatão genial que acabou obscurecendo o resto da produção de Rottaque, além das trilhas para o cinema, escreveu obras sinfônicas,concertos e óperas."A peça, na verdade, já foi montada pela própriaExperimental de Repertório em 1993, quando se falava de umprojeto - que não foi para frente - de se transformar o teatroPaulo Eiró em um espaço de experimentação da ópera em São Paulo.Será a primeira vez, no entanto, que será executada no TeatroMunicipal, passando a fazer parte de seu repertório. O elenco ébasicamente o mesmo, com artistas como a meio-soprano ReginaElena Mesquita e o barítono Sandro Christopher.A segunda ópera será Édipo Rei, de Stravinski, com ameio-soprano Celine Imbert como Jocasta e o tenor FernandoPortari no papel-título. "É o elenco ideal para uma ópera dafase neoclássica de Stravinski. Trata-se de uma peça curta, de55 minutos, mas extremamente intensa, cortante, obsessiva." Aprodução, com estréia prevista para junho, ainda não tem diretorcênico definido.Os Contos de Hoffmann, de Jacques Offenbach, encerraa temporada do teatro. Maluf trata a montagem como umasuperprodução - o que se justifica pelo tamanho do elenco, pelasua duração (quatro atos e um prólogo) e pelo fato de que cadaum dos atos leva o público para um ambiente totalmentediferentes, desde um bar em Nuremberg até um prostíbuloveneziano. A produção terá como base a versão de Michael Kayeque, após anos e anos de cortes e adaptações da ópera -Offenbach morreu antes de completá-la -, preparou na década de90 uma edição crítica da obra, baseada nos manuscritos originaisdo compositor encontradas em meio a um calhamaço de partiturasleiloadas em Paris. "Minha intenção é trazer Kaye ao Brasilpara um seminário sobre sua versão da ópera."O elenco dos Contos está quase todo definido.Fernando Portari será Hoffmann e Denise de Freitas cantará opapel de Nicklausse. As sopranos Andrea Ferreira, ClaudiaRiccitelli e Luciana Bueno serão, respectivamente, Olympia,Antonia e Giulietta. Sandro Christopher interpreta os quatrovilões.Com a temporada sinfônica, a OER também presta homenagema Berlioz e Prokofiev. Do primeiro, toca a obra Haroldo naItália e, do segundo, concertos para piano, com a participaçãodo pianista Dang Thai Son. A música brasileira estarárepresentada por obras de Jorge Antunes (Abertura da óperaOlga), Camargo Guarnieri (Suíte Vila Rica) e AlbertoNepomuceno (Doze Canções Estrangeiras, na orquestração deRodolfo Coelho de Souza e interpretação da meio-soprano Denisede Freitas). O grupo fará também duas apresentações na ViaFunchal: uma com a trilha do filme Senhor dos Anéis e outrocom O Pássaro de Fogo, de Stravinski, com participação daImago Cia. de Animação.

Agencia Estado,

04 de fevereiro de 2003 | 17h00

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