Lourival Ribeiro/AE
Lourival Ribeiro/AE

Ode a Paul McCartney

Artistas brasileiros repercutem importância de Macca para a música pop

João Paulo Carvalho - estadão.com.br,

17 de junho de 2012 | 15h38

Paul McCartney completa 70 anos nesta segunda-feira, 18. Mais que um ícone da cultura pop, o inglês é peça chave para entender a história da música. Macca, assim carinhosamente chamado pelos fãs, já divagou por diferentes estilos e conquistou o respeito de grandes nomes. O britânico é referência para qualquer músico e no cenário nacional não é diferente. "Eu não estaria em um palco hoje em dia se não fosse pelo Paul e aqueles outros três rapazes de Liverpool", revela Beto Bruno, vocalista da banda Cachorro Grande em entrevista ao Estado.

A revolução cultural incitada pelos Beatles na década de 60 faz de Macca um personagem central na compreensão das raízes da música pop. Paul, John, George e Ringo não só popularizaram a essência do rock, mas foram os percussores do conceito "banda". Foi justamente a partir deles que o sonho de formar um conjunto e tocar para grandes públicos tornou-se possível para milhões de adolescentes ao redor do mundo.

"Eu ouvi falar dos Beatles antes mesmo de ter conhecimento do que significava o rock 'n' roll. Com 8 anos meu pai me deu o LP de A Hard Day's Night. Foi mágico. Paul e os Beatles alimentaram a esperança de montar minha própria banda. Eu queria ser um daqueles caras ali no palco, com uma guitarra ou um baixo nas mãos", diz o vocal do grupo gaúcho.

Na opinião de Samuel Rosa, líder do Skank, falar sobre música pop e não conhecer o trabalho dos Fab Four é algo contraditório. "Meu contato com Paul McCartney é o meu primeiro contato com a música. Para entender a música contemporânea é necessário ouvir minimamente o trabalho de Paul, seja na carreira solo ou nos Beatles. Quem não fizer isso está fadado à eterna incoerência. É similar a um padre cravar, com todas as letras, que não leu a bíblia", brinca.

O legado de Paul e dos Beatles não fica restrito ao popular. Eles são respeitados em diferentes âmbitos sonoros. "Sua influência é muito admirada em diversos segmentos, principalmente na black music. Até porque os Beatles beberam muito dessa fonte com Chuck Berry e Little Richard, por exemplo. Eu já ouvi o Iggy Pop falar que queria ser um beatle. É muito abrangente a influência deles para a música. Todo mundo queria ser Paul McCartney. Para mim, é um cara que soube ser popular e ao mesmo tempo respeitado. Eu me pergunto se não é esse o verdadeiro segredo da música pop", salienta Samuel Rosa.

Para Beto, a versatilidade e a inovação sonora de Paul podem ser percebidas tanto nos primeiros compactos dos Beatles, em 1962 e 1963, quanto nos trabalhos mais recentes. "O Paul, desde o início nos Beatles, sempre procurou inovar. Ele nunca teve preconceito com o novo, com o diferente. A ideia de fazer com que o baixo soe para fora começou com ele. O baixo deixou de ser um acompanhamento, um instrumento de base. Ele levou o baixo a outro nível", complementa Beto.

Silly Love Songs. Apesar das diferentes fases nesses mais de 50 anos de estrada, Macca ganhou fama de "baladeiro". Sucessos de sua carreira pós-Beatles como My Love, With a Little Luck e Another Day confirmam o estigma de melancólico apaixonado. "O Paul ficou conhecido pelas composições mais tristes, verdadeiras baladas de amor. Já John Lennon recebeu o título de rebelde, um cara mais rock 'n' roll e ativista. A meu ver, isso é injusto. Basta ouvir o Imagine, de Lennon, e Helter Skelter, do White Album, para rever um pouco isso. A música mais barulhenta dos Beatles foi escrita por Paul!", relembra Beto.

Se o Paul de No More Lonely Nights é muito mais lembrado que o Paul de Check My Machine, por exemplo, isso em nada diminui sua importância na história da música. "Paul McCartney é o melhor baladeiro do mundo. Não existem baladas iguais as do Paul. Você não aguenta mais ouvir Hey Jude e Let it be, mas se você for a um show e ele não tocar, certamente, dirá: Pô, ele poderia ter tocado aquelas para eu dar mais uma choradinha (risos)", conclui Beto.

Para Arnaldo Baptista, ex-Mutantes, o lado romântico de Paul foi essencial para o desenvolvimento de sua visão como músico e ser humano. "O Paul me ajudou a desenvolver o romantismo que tinha dentro de mim. Levou-me a enxergar a maneira mais doce de ver a vida. Paul tem as composições mais lindas da história da música", relata.

Segundo Arnaldo, o sucesso e a importância de Paul estão justamente associados a este romantismo exorbitante: "O maior presente que Paul deixa para a música e todos os seus seguidores é justamente o amor. Sem o amor nada se concretiza", diz Arnaldo.

Na opinião de Beto Bruno, o legado de Paul vai muito além do imaginado por qualquer pessoa. Para ele, é algo imensurável até para o próprio Paul. "Paul McCartney é o maior exemplo vivo de como envelhecer gentilmente, amadurecer e continuar no palco com muita qualidade. Da mesma forma que ninguém imaginaria que matariam John Lennon em 1980, ninguém imaginaria que Paul McCartney completaria 70 anos hoje em cima de um palco, fazendo três horas de show. É a maneira mais digna de um músico envelhecer", complementa.

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