Obra é tributo a Cássia Eller

Livro de fã assumida, CássiaEller - Canção na Voz do Fogo carrega os vícios e asvicissitudes dessa condição. Pinta um retrato demasiado róseo daartista intuitiva que venceu na vida com raça e fair-play. MasCássia, como todos sabemos, conhecia com rara intimidade o gostoda sarjeta."E o companheirismo de Maria Eugênia Vieira Martins - omaior relacionamento de toda sua vida - lhe trazia o afeto e asegurança de que necessitava, suprindo as carências que, comrelação à família, pudessem vir a se manifestar, vez ou outra",escreve a autora. É uma leitura poética, elegíaca, reiteradorada condição do ídolo.Ainda assim, é uma pesquisa prodigiosa, que abrecondições para uma discussão ampla. Qual foi a peculiaridade deCássia Eller? Subproduto de Janis Joplin ou reformuladora datradição alisadora da voz feminina da MPB? Mimetista oucriadora?A voz possante e grave, mezzo-soprano, como assinala a autora, eo comportamento rebelde, de improvisadora nata, lhe garantiamautenticidade, mas a tornaram uma artista única?"Não basta ser pai, tem que participar", brincouCássia certa vez em entrevista a João Gordo, da MTV, falando dofilho. Pouco articulada na elaboração teórica de sua arte, elafoi radicalizando um comportamento de misantropia que turvou umpouco a avaliação de seu trabalho. Mistura de ensaio e biografia, Canção na Voz do Fogo abre picadas, mostra caminhos. Há muito ainda o que vasculhar.Canção na Voz do Fogo. De Beatriz Helena Ramos Amaral.Escrituras Editora. Preço R$ 28, 184 págs. Lançamento em agosto,na Fnac.

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