Atlantic Records
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Obra de Charles Mingus é recriada por Sidiel Vieira

Convidado pelo Sesc Pinheiros, contrabaixista paulistano refaz no palco todo o álbum 'Pithecanthropus Erectus', do músico norte-americano, em show apenas nesta sexta (10)

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

10 Março 2017 | 04h00

Charles Mingus era encrenca. Encrenca quando falava, encrenca quando tocava. Sua postura rígida na vida, combatendo o preconceito racial dos anos 1950 nos Estados Unidos com militância e revolta, era transferida para o contrabaixo que tocava. Mingus morreu em 5 de janeiro de 1979, aos 57 anos, como um dos músicos mais inventivos e menos regravados de sua geração. Por quê? Porque poucos entenderam o que Mingus, “o homem bravo do jazz”, queria dizer.

Três anos antes de lançar seu maior standard, Goodbye Pork Pie Hat, ele assumia o front de uma gig pela primeira vez com o álbum Pithecanthropus Erectus, uma sessão que pretendia representar a evolução da espécie humana em quatro faixas. A abertura, que batiza o disco; A Foggy Day, uma recriação sobre o tema de Gershwin; Profile of Jackie e Love Chant traziam o baixo sempre acústico conduzindo Jackie McLean ao sax alto, J. R. Monterose no tenor, Mal Waldron ao piano e Willie Jones na bateria.

Agora, está tudo nas mãos de Sidiel Vieira. Um dos mais requisitados instrumentistas surgidos na última década, vibrante nas execuções e recrutado por músicos como Cesar Camargo Mariano, Romero Lubambo e Eumir Deodato, Sidiel foi convidado para arregimentar a mesma formação e revisitar o álbum ao vivo. O show terá noite única, apenas nesta sexta, 10, às 21h, no Teatro Paulo Autran no Sesc Pinheiros. Em uma hora ou um pouco menos, Sidiel estará à frente dos músicos Josué dos Santos (sax alto), Vitor Alcântara (tenor), Felipe Silveira (piano) e Jônatas Sansão (bateria).

O primeiro passo foi escrever as músicas na partitura. “Assim, ficou mais fácil entender o que Mingus queria dizer”, diz Sidiel. Quando chegou a Love Chant, percebeu que quase não havia tema. “Não há melodia, só uma base de acordes sobre a qual os caras ficam improvisando.”

O que faz Mingus inconfundível ao baixo? Sidiel percebe que seu instrumento pode mudar a condução de um tema no meio e trazer consigo até o pianista. É um feito de baixistas de muita personalidade, que conseguem sair das sombras e se impor no momento do ponto de ebulição dos improvisos. A música de Mingus era retrato de sua vida. 

Audições Históricas: Pithecanthropus Erectus

Sesc Pinheiros. Rua Paes Leme, 195, tel.: 3095-9400.

Sexta (10), às 21h. R$ 12 a R$ 40. 

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