Obra completa do pai do chorinho é lançada em CD

As 80 músicas deixadas por JoaquimAntônio Callado, flautista, compositor e professor de música queviveu entre 1848 e 1880 no Rio e é tido o pai do chorinho (éautor de Flor Amorosa), serão lançadas amanhã, em uma caixade cinco CDs, no Centro Cultural Banco do Brasil. A produção éda gravadora Acari, por encomenda da produtora Artefacto, e seráo brinde de fim de ano do Ourocard, cartão de crédito do Bancodo Brasil. "Nossa única exigência é que o disco chegue às lojas,na coleção Princípios do Choro, porque não quisemostrabalhar tanto e restringir a música de Callado a 2 milprivilegiados. Mas só poderemos vendê-lo a partir de 2004",conta o violonista Maurício Carrilho, diretor artístico da Acarie responsável pela pesquisa e gravação. "Callado deve tercomposto muito mais, mas as partituras se perderam. Conseguialgumas com o pesquisador Jairo Severiano, com descendentes doflautista Gerson Ferreira, que guardou um caderno com as músicasdele e com Leonardo Miranda, que lançou o primeiro disco deCallado pela Acari." O repertório tem 56 polcas, uma valsa, dois lundus e 21quadrilhas. Carrilho explica que, apesar da influência européia,essas peças já têm a mistura que caracterizaria toda a músicapopular brasileira até os dias de hoje. "A quadrilha era umadança de salão, diferente das que se tocam nas festas de SãoJoão, enquanto suas polcas já tinham influência do lundu, ritmoafricano cuja soma daria no choro", ensina Carrilho. "Éimpressionante sua diversidade, com algumas passagens que exigemvirtuosismo do instrumentista e outras de uma beleza melódicaque conquistam de imediato." O disco levou dois meses e meio para ficar pronto eCarrilho chamou mais de uma centena de chorões para gravá-lo."Vieram, dos veteranos do Época de Ouro aos jovens do Abraçandoo Jacaré e Rabo de Lagartixa. Veio gente de São Paulo ao Recife,sem esquecer do Rio e Brasília. O interessante é que cada uminterpretou a seu modo a música de Callado", comentou oprodutor. "Na hora de distribuir as músicas, usei da autoridadeque a produção me conferia e determinei o que cada um ia tocar.Mas todo mundo ficou satisfeito porque todas as músicas sãoótimas." A única exceção foi Flor Amorosa, que teve cincoversões, fechando cada CD: com Hermeto Pascoal, com AltamiroCarrilho tocando duas flautas, com Sivuca, com Zé da Velha eSilvério e com a Velha Guarda da Acari, grupo de músicos quetomaram emprestado o nome da gravadora, em cujo estúdio dãoplantão. "Não nos preocupamos em tocar como Callado fariaporque ele morreu 20 anos antes da primeira gravação. Além disso não faz sentido deixar recursos harmônicos de hoje ouempobrecer a música em busca de uma fidelidade não se sabe aquê", avisa Carrilho. "Além disso, Callado era um músicoinovador, gostava de criar novidades e acompanhava seu tempo.Ficou interessante ouvir como três gerações diferentes dechorões sentiram sua música." Amanhã à noite, haverá um pequenoshow com o repertório do disco e a noite termina com uma roda dechoro dos alunos da Escola de Música da Universidade Federal doRio de Janeiro (UFRJ).

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