O vinil nacional de volta às pick-ups com vários lançamentos

Gravadora DeckDisc lança álbuns de Fernanda Takai, Nação Zumbi, Pitty e Cachorro Grande, no Rio

Lauro Lisboa Garcia, de O Estado de S. Paulo,

27 Fevereiro 2010 | 11h00

A tão alardeada volta dos discos de vinil nacionais finalmente se concretiza. Com a Polysom, única do gênero na América Latina, reativada no Rio em abril de 2009, a Deckdisc anuncia para março o relançamento de quatro álbuns do pop-rock nacional, que fizeram barulho nos três últimos anos. São eles Onde Brilhem os Olhos Seus (de Fernanda Takai), Fome de Tudo (Nação Zumbi), Chiaroscuro (Pitty) e Cinema (Cachorro Grande). O mais recente, de 2009, é o de Pitty, que fará show para marcar o lançamento do LP na próxima sexta, no Circo Voador, no Rio.

 

O interesse do público jovem pelos velhos bolachões vem crescendo. No Hemisfério Norte, álbuns históricos de Beatles, Beach Boys, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Miles Davis e outros foram relançados em LPs de 180 gramas, bem como novos títulos de peso, entre eles Back to Black (Amy Winehouse), In Rainbows (Radiohead) e Viva la Vida (Coldplay).

 

Vários desses títulos podem ser encontrados em São Paulo por preços acima dos R$ 100. Esse é o valor também de alguns novos LPs brasileiros, fabricados no exterior, como Labiata, de Lenine, e a malfadada série Primeiro Disco da Sony (em versão dupla com CD), que não teve grande repercussão por outro bom motivo além do alto custo. Com exceção de Da Lama ao Caos (Nação Zumbi), os álbuns de estreia de Vinicius Cantuária,

Engenheiros do Hawaii, Inimigos do Rei e João Bosco não têm apelo de venda nem são imprescindíveis. Além do mais, já haviam saído em vinil.

 

A reativação da fábrica brasileira resolve a questão do custo para o consumidor. A Polysom estava desativada desde 2007 e foi comprada em abril do ano passado pela Deckdisc. Depois de vários meses de reformas e testes, a fábrica voltou a funcionar neste início de 2010. João Augusto, presidente da Deckdisc e um dos sócios da Polysom, diz que, além do mercado interno, a fábrica vai atender outros países do Mercosul, "com destaque para Argentina e Chile".

 

"O fato de a Polysom ser a única fábrica de vinil da América Latina e estar completamente inviabilizado o aparecimento de qualquer outra, por absoluta falta de equipamentos, gera um prognóstico espantoso se considerarmos os apoios que temos recebido", diz o empresário. "Os equipamentos hoje existentes na Polysom, em sua maior parte, têm fabricação descontinuada. Por isso, passaram por um completo desmonte para depois serem recompostos adequadamente por uma equipe de mágicos. Tudo que havia lá foi recuperado."

 

Ainda não há demanda definida para este ano, segundo Augusto, "apenas sensações de que a tendência é de crescimento firme". "Os primeiros lançamentos ainda servirão para mostrar à turma que é verdade sim, os vinis voltaram a ser fabricados no Brasil. Nossa capacidade instalada é de 28 mil LPs e 12 mil compactos por mês."

Como a grande maioria dos consumidores já não tem toca-discos em casa, a tendência é que se volte a fabricá-los no País. "A teoria não é minha, é de João Araújo (presidente da gravadora Som Livre): no momento em que qualquer fabricante se tocar que o vinil está voltando, eles têm condições de colocar aparelhos em produção em menos de seis meses."

 

Sobre a escolha desses quatro títulos iniciais, Augusto diz: "Está relacionada com o artistas propriamente ditos e com nosso desejo de dizer ao ainda incipiente mercado brasileiro que podemos lançar em vinil os trabalhos mais recentes de artistas legais, como acontece fartamente hoje no exterior. É um caminho que iremos seguir com os próximos lançamentos." Esses LPs brasileiros estarão à venda em lojas, livrarias, numa loja de vinis da própria Polysom, lincada em seu site "e todos que se interessarem em trabalhar com o formato", afirma. O preço sugerido de cada LP é de R$ 79,90.

 

Valéria Oliveira sai na frente com o CD, 'No Ar'

 

Antes do lote da Deckdisc saiu em vinil No Ar, sétimo álbum da cantora e compositora potiguar Valéria Oliveira, que não tem ligação com a gravadora e difere dos demais também por ser inédito. O disco foi lançado simultaneamente em CD e traz 12 novas composições da talentosa Valéria, com parceiros. O LP tem um remix não incluído no CD, foi viabilizado pela United Records Pressing e custa R$ 35, embora a venda não seja o objetivo, mas o uso promocional do vinil.

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