O som que vem do Maranhão: de Lopes Bogéa à dupla Criolina

Zeca Balero lança a obra póstuma de Bogéa, enquanto a dupla Alê e Luciana faz show no Gracia a Dio!

Livia Deodato, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2007 | 20h29

O maranhense Lopes Bogéa cantou a pobreza, a fartura, a vida e a morte. Reverenciou a natureza, o samba, a companheira de uma vida toda. Imprimiu as suas mais sensíveis observações em mais de 300 composições que só agora, três anos após a sua morte, o público terá a chance de conhecer. Balançou no Congá é a obra póstuma do artista descoberto tardiamente - como muitos outros perdidos pelo Brasil afora -, que reúne 17 das mais significativas músicas de seu extenso repertório guardado em velhos cadernos e na memória de sua filha, Heleudes Bogéa. Veja Também'Balaiei, Sim', de Lopez Bogéa 'Banguela', de Criolina O suingue divertido de Criolina Seu conterrâneo Zeca Baleiro foi quem deixou os últimos dias de vida de Bogéa um pouco mais ensolarados. Mas ele rejeita rótulos do tipo ‘embaixador’ daquele Estado. "Eu sempre refutei esse cargo, sempre fui muito avesso a tudo que soasse oficial demais, chapa branca. Por eu ser do Maranhão e meu trabalho ter hoje uma certa visibilidade, certos projetos vêm até mim. E quando acredito que eles são bacanas e louváveis, eu assino embaixo", diz.  Zeca não só assinou embaixo, como produziu à própria custa o primeiro álbum do compositor que permaneceu escondido entre os azulejos de São Luís durante os 78 anos que viveu.  A gravadora de Zeca, Saravá Discos, é a responsável por esse belo trabalho iniciado em 2002 com a ajuda de outro maranhense, muito amigo de Bogéa, o músico Chico Saldanha. Baleiro conheceu pessoalmente Bogéa por intermédio de Antonio Vieira, outro prolífico compositor da ilha, hoje com 87 anos, que também foi presenteado com um álbum autoral em 2001, O Samba É Bom, que agora é relançado também pela Saravá Discos.  Amigos Vieira e Bogéa, amigos de longa data, alcançaram relativo destaque na região com o livro Pregões de São Luís, dos anos 80, onde se inspiraram em cantos de vendedores ambulantes, como O Carvoeiro, O Amolador, O Sorveteiro, O Verdureiro, A Doceira. Diz um deles: "Pamonha, pamonha, pamonha.../Tá quentinha!/A pamonha só é boa/quando é feita por dindinha." Foi transformado em LP em 1988 e, 10 anos depois, acabou sendo relançado em CD sob o título Pregoeiros. Vieira sempre procurou exibir suas canções em shows da capital maranhense e em cidades do interior. Até hoje, firme e forte, não hesita em aceitar convites para apresentações pelo País. Diferentemente de Bogéa: ainda que tivesse uma produção muito fértil (e fosse muito mais "da balada" do que Vieira, segundo Baleiro), passou muito tempo de sua vida se dedicando ao jornalismo, exercendo as funções de rádio-escuta, repórter, redator e diretor artístico, dos anos 60 até fim dos 70, na Rádio Timbira e no Jornal Pequeno. Escreveu também alguns livros, todos relacionados à cultura popular. Enquanto isso, suas músicas encantavam o cantor paraense Ari Lobo e os grupos Cobras do Norte e Nonato e Seu Conjunto, que fizeram reverberar, ao menos regionalmente, seu talento musical. Compôs com João do Vale 350 anos de São Luís, interpretada no novo álbum pela também conterrânea Alcione, que fez questão de participar da compilação. "O pai de Alcione, maestro João Carlos Nazaré, era muito amigo de Bogéa, assim como minha mãe, que estudou com ele", conta Baleiro. Além de Alcione, participam do álbum os maranhenses Rita Ribeiro, Criolina (leia abaixo), Chico Saldanha, Josias Sobrinho, César Teixeira, Tião Carvalho e Baleiro, obviamente. Beth Carvalho, Germano Mathias e Genival Lacerda completam a lista de intérpretes do altíssimo escalão aprovado previamente por Bogéa, que só conseguiu dar voz a quatro de suas composições - Balaiei, Sim, Balançou no Congá, Siricora e Sapoti.

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